sexta-feira, 6 de outubro de 2006

na praça

voltemos então a falar das coisas daqui.
ontem a cidade foi sacudida por um mega-evento, anunciado pela rede globo local (a tv mirante, anagrama para tv mentira) e patrocinado pela 'responsável socialmente' vale do rio doce (como robert crumb, ainda vou demorar pra confiar em capitalistas gordos e suas grandes empresas), a apresentação da Osquestra Sinfônica Brasileira (OSB pra facilitar) numa das maiores praças da cidade, a Maria Aragão.

a bem da verdade, eu nem tava muito animado a ir ver. mas o acaso e um pouco de conformismo me levaram até a praça. e explico porquê:

- estava eu voltando de ônibus pra casa, começo de tarde, depois da natação e de um dia 'suado' de trabalho (creiam-me as aspas são necessárias). em determinado momento o trânsito parou. mas parou mesmo, naõ se andava nada (pra ser mais exato se andava a uma taxa de 20 metros a cada 5 minutos), culpa da apresentação, que obrigou todos os ônibus a refazerem o rote4iro para que não passassem próximos da orquestra (o que, verdade seja dita, realmente prejudicaria a execução dos clássicos). eu tava cansado, com fome e bravo porque meu mp3 player tinha queimado (e consequentemente não podia ouvir música no trajeto, mas hoje, afinal, já o consertei). ainda estava distante de casa (usn 5 quilômetros, eu creio).
como já tava de saco cheio, decidi que andar seria ao menos terapêutico.

e assim cheguei na tal praça maria aragão (lá tem um palco ao ar livre bem ao estilo nyemeyer, com uma daquelas estruturas em curva). como já estava por lá, e queri descansar da caminhada de cerca de 2 km, resoplvi por lá ficar.
tinha gente a sair pelo ladrão, mais de 10 mil pessoas seguramente. mas, como sozinho é mais fácil de se embrenhar, consegui chegar na grade e ter uma boa visão do espetáculo.

aqui há um ponto que me estressou profundamente. logo em frente ao palco haviam colocado algumas cadeiras pro 'pessoal vip' (odeio esse povo inominado qeu, sabe-se lá porquê, deve ficar melhor instalado que 'a 'geral'). pior ainda, apenas metade das cadeiras estavam ocupadas; e assim permaneceram durante o show inteiro. essas cadeiras elitizadas e cercadas por seguranças e grades são de causar asco. vejam bem, eu não fiquei apertado nem desconfortáve, mas porque diabos algumas pessoas tem direito a ficarem sentadas de frente pro palco enquantro o resto fica de pé ou sentado nas escadarias da igreja? a lógica seria 'chegou primerio, pegou o melhor lugar'. mas esse mundo tá todo errado mesmo e não adianta argumentar.

outra coisa irritante é a sacralização da arte. ou melhor, a fashionização. vejam bem, o espetáculo era numa praça, do lado de um rio que deságua no mar. lugar simples e público, portanto. ainda assim, as pessoas vestiram seu melhor traje e foram pra praça. porra, eu gosto de orquestra e volta e meia entro em êxtase ouvindo aquele tchaickoviski de sonoridade forte ao vivo, mas nem por isso eu precisei me emperequetar pra OUVIR uma peça. a sacralidade de uma obra de arte está no espectador, no que ele sente ao apreciar a obra, e não na vestimenta que o mesmo utiliza pra ir apreciar (isso é puro status). e tem mais, isso revela como a definição 'alta cultura' ainda cabe porque as pessoas aceitam essa mesma definição. e acham pois que só são dignas de estarem presentes num ambiente de 'alta' cultura se se arrumarem, assim não serõa tão desrespeitosos e serão aceitos pela 'elite entendida' (e sei que, com a minha brancura aparentemente européia, muitos já me achavam refinado, mas isso é vestir o estigma que o opressor quer colocar no oprimido). mas vem cá, me diz o que é mais desrespeitoso, eu aparecer de chinelos no teatro ou deixar o celular tocar no cinema? e os malditos celulares infestaram todos os lugares, as pessoas não se importam mais com o ambiente e muitos conversaram durante toda a apresentação.
de fato, creio que a 3 mulheres ao meu lado estavam lá mais mostrando que buscavam conhecer sinfonias e poder mostrar as fotos gravadas no celular pras amigas do que pra apreciar mesmo a orquestra. tanto que prestaram mais atenção ao operador do telão (o qual por sua vez passou a apresentação toda jogando paciência no computador, mas ele tem a desculpa de que não queria estar lá, estava apenas cumprindo sua função).

enfim, isso tudo são rabujices minhas, dado o enorme contingente populacional, até que os barulhos foram poucos, o povo foi bem respeitador e cochichou pouco durante as apresentações. o maestro foi ótimo, me lembrou a maestrina do meu coral - quando a gente ia se apresentar em comunidades - explicando como funcionava uma orquestra e como o público reagia appós aas apresentações em cada lugar. e o público ludovicense reagiu bem, participou batendo palmas ritmadas em certos momentos, a pedidos do maestro (é, se criar em bumbas-meu-boi faz diferença na formação rítmica d eum povo, duvido que os curitibanos tivessem essa desenvoltura).

em suma, toda a fome, cansaço e mal-humor sumiu quando o amestro iniciou a sessão e mais de 10 mil pessoas entoaram o hino nacional de cabo a rabo. nosso hino é piegas pacas, mesmo assim eu adoro ele!!!

e pro hoje chega que já falei demais! depois eu cito algumas curiosidades da apresentação.

Um comentário:

Diogo F disse...

Ludovicense.

Q massa, não conhecia essa!