quarta-feira, 29 de novembro de 2006

fragmentos


às vezes quero ouvir música até meus ouvidos doerem, até que não haja maissons externos exceto aqueles que determino.fuga? não, apenas o desejo de moldar a realidade a meus desvarios.

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não me incomodo em parecer epiléptico ao andar cantando na rua.viver é mesmo um grande espasmo entre dois supostos repousos.

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minha poesia pode ter ficado mais prosaica e pragmática. mas ainda existe. eresiste em papéis rasgados, versos de extratos bancários e cantos de agenda. ésó uma questão de resgatá-las de sua semi-marginalidade.

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eu admito, esse post só existe como pretexto pra eu colocar a foto acima. não sou um mero vaidoso não, sou é um exibicionista-introvertido-declarado!!!!

até mais

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

em brasília 19 horas...


...sem dormir!!!

tá bom, admito, a piada foi horrível. mesmo porque ficar 19 horas sem dormir não é nada pra quem já ficou 39 direto, participando de reuniões tensas e assembléias gerais. ah, os bons tempos de movimento estudantil...

por mais que provoque calafrios em minha mãe, foi essa época que revivi durante o "Seminário Nacional dos Novos Servidores do INCRA", semana passada na cidade-piloto. (notaram como tenho citado minha mãe neste espaço? freud ficaria radiante).
mas enfim, a 'semana de ambientação' - a despeito de inúmeras e válidas críticas - foi produtiva em vários aspectos. vou tentar elencar todos.

pelo lado das palestras pude ver que estamos bem servidos. não tenho muita consciência ainda da linha política de nosso presidente – rolf hackbart – mas pude ver que ele é bem articulado, tanto em contatos quanto em discurso. sabe falar e sabe ser contundente, o que me faz crer que não chegou lá sem méritos. além disso, não só ele é gaúcho como está cercado de gaúchos no gabinete (ô raça teimosa!), muitos dos quais conheci apenas à noite em mesas de botecos genuinamente copos-sujos.
mas por melhor que tenha sido a fala do presidente nada superou a palestra dos movimentos sociais. só os cabeças se apresentaram. destaque para dom tomás badoíno, da cpt, e joão pedro stédile, que dispensa apresentações.
já tinah ouvido o stédile falar antes, já havia lido entrevistas dele também. por isso não me surpreende a propriedade do discurso.
só que eu nunca havia visto ele palestrar pra um público tão heterogêneo, a maior parte das vezes o que havia era predominância da esquerda na platéia. dentre os novos servidores há uma divisão não muito clara entre direita e esquerda (como aliás, na sociedade como um todo). e foi muito bom ver o stédile responder sem nenhum pudor a um pelego que perguntou como este justificava a invasão pelo mst de sedes do incra, sendo que os pobres servidores encontram-se fortemente armados com mouses e grampeadores (houve na pergunta até essa vergonhosa tentativa de ironia). stédile não deixou por menos mas finalizou lembrando que foi uma ocupação que o mst fez à sede do incra, em 92 se não me engano - que garantiu a existência do instituto até hoje. ou seja, o pelego só trabalha hoje porque o mst é de luta!!!!
a nota negativapoderia ficar por conta da palestra do presidente da assinagro (associação dos engenheiros agrônomos da entidade), um pelego que durante a greve desse ano só fragmentou o movimento e que só fez ler um discurso vazio de boas-vindas (o cerimonial teria feito coisa mais digna). mas mesmo essa parte foi salva pelas intervenções dos engenheiros agrônomos, que fizeram picadinho do presidente na hora das perguntas.
quem ganha o troféu de inutilidade é um tal de waldez ludwig. na verdade esse cara foi uma tremenda bola fora da organização. foi uma daquelas palestras motivacionais, em que o figura ficava falando que 'o poder é dos jovens' , que 'o mundo está mudando' e outros conceitos rasos em que falas premissas eram disfarçadas com piadinhas. totalmente dispensável, e fiz questão de demonstrar isso saindo no meio do painel.

na parte de contatos também foi bem interessante. conversar com o pessoal de roraima é o melhor modo de ver que são luís não é tão ruim assim..em boa vista por exemplo não há mais transporte público depois das 20 horas. em compensação, brasília se ofereceu de forma tão amigável que até cogitei uma mudança para lá. além dos já citados botecos (tive 3 dias indo a bares diversos ouvindo de rock a samba tocado em mesa) não faltaram atrações.
mais uma nota relevante: consegui afinal ver nação zumbi no fim da semana!! sendo que a grande supresa ficou por conta de 'casa de farinha' , banda formada por 4 mulheres na voz - e que vozes - e percussão e 2 garotos dando o peso nos tambores. um som simples e direto, um batuque envolvente que me empolgou a dançar até músculos que desconhecia começarem a doer, até ciranda com desconhecidos eu dancei no pátio da unb. como se não bastasse, semana que vem, pelo que pude notar tocam na cidade bnegão, los hermanos, móveis coloniais de acaju além de inúmeras bandas da cena local. brasília ta bem servida de shows. eita inveja!!!!]

devo dizer que por conta do ritmo frenético quase não conheci o hotel, e isso não é exagero retórico. só dormi nele na primeira noite. nos outros dias saía direto do seminário pro boteco, de lá ia dormir na casa de um velho companheiro de movimento estudantil (agora também servidor do incra), e no dia seguinte lá estava eu, firme e forte no seminário de novo (não tão forte, dei umas cabeceadas é verdade, mas me agüentei bem 90% do tempo). e sem nheum remorso, já que em todas as noites a assessoria do gabinete do presidente saía pra beber conosco. no resumo da ópera, só voltei ao hotel mesmo foi pra retirar minha mala, a qual se revelou inútil (até houve um dia em que comprei uma camiseta de baixa qualidade do che guevara, só pra fingir que trocara de roupa).


enfim, brasília em lembrou que ainda posso cometer extravagâncias sem perder a compostura, que não sou tão velho quanto insisto em dizer e que não perdi a velha forma de aproveitar a vida quando ela se apresenta sorridente para mim.

sábado, 11 de novembro de 2006

pra onde vão as nuvens?

aqui em são luís, pra qualquer lugar...menos pra baixo.

vá lá, bem que me avisaram que é estação das secas. mas faz 3 meses que não vejo chuva!!!
o mais esquisiot é que estou morando numa ilha e todo dia há nuvens no céu. não é como se não houvesse umidade. há sim, e a umidade relativa é relativamente boa (infame).
eu até vejo nuvens todo dia no céu, algumas vezes até bem pesadas, daquelas prestes a desabar.

claro, são nuvens esparsas, nada como aquele céu plenamente nublado de gotham city.

mesmo assim, eu me incomodo. se essas nuvens surgiram alguma hora elas teriam de descer. e aqui é tudo plano, não há nenhuma serra do mar pra elas caírem escondidas.

um dia ainda descubro onde descansam as nuvens.

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ps: se bem que é verdade que na época das chuvas não há descanso. elas trabalham todo dia, batem ponto até. não há tarde sem nuvens suicidas a partir de fevereiro.

minha história de futebol

meu amigos, relembro aqui uma história já contada ao vivo para algumas pessoas.

agora, os parcos leitores podem lê-la, se paciência tiverem.

na minha infância, nunca fui interessado em futebol. afora aquelas partidas da seleção brasileira e dos jogos da copa, nunca tive nenhum interesse. isso não tinha nada a ver com meu sempre péssimo desempenho em gramados e canchas. nucna foi do meu interesse e pronto, nem como observador, quando ia a jogos ficava com sono na arquibancada. exceção feita a algumas raras partidas de salão em que o time de campo mourão realmente tinha chances (já vi até jogo em que o goleiro foi expulso e só sobraram 3 jogadores, e mesmo assim vencemos...)

mas divago. o fato é que, por influência de um padrinho, comecei a torcer pelo palmeiras. mais porque ele era torcedor do que por interesse mesmo. e no interior do paraná praticamente todo mundo torce pra um dos quatro grandes de são paulo (do mesmo modo que no nordeste há grande quantidade de pessoas que torcem pra times cariocas). a meu favor tenho o fato de que comecei a torcer pelo palmeiras na época do jejum dos 17 anos sem título.

de toda sorte, nunca fui de acompanhar meu time, mesmo na época áurea dos títulos. quando fui morar em curitiba adquiri uma simpatia pelo coritiba, até pelo fato de ambos usarem as mesmas cores. mas sempre acreditei que as pessoas só podem ter um time mesmo do coração, sme essa de ser torcedor de um time em são paulo, outro no rio, outro em minas etc... e meu amigo sandro ripoll só reforçou essa teoria.

e assim fui seguindo, desinteressado de futebol por anos e anos. meus conhecimentos só serviam para que não me desintegrasse do 'grupo dos meninos', os quais invariavelmente conversavam sobre isso.

tudo mudou cerca de 2 anos atrás. e o culpado disso foi o coritiba. na época eu trabalhava nas livrarias curitiba. era domingo e era jogo final do estadual. tudo que o coxa devia fazer era empatar com o atlético paranaense e comemorar o título.
meu gerente era fanático pelo coxa e ficava toda hora olhando o resultado parcial na internet.
perdemos, e foi nesse momento que me descobri coxa branca. isso porque fiquei muito mais triste com essa derrota do que qualquer outra que o palmeiras sofrera, por mais humilhante que fosse. não havia jeito, eu era coxa branca mesmo e a consciência disso já surgia junto com uma raiva contra meu time. como eles ousaram me deixar triste logo de cara.
e eu ousei mais, ousei continuar torcendo por ele.

e assim foi no ano seguinte, durante o campeonato brasileiro, comigo acompanhando febrilmente as partidas, indo sempre que podia. e vendo afinal a equipe cair pra segunda divisão

e persisti torçofrendo.

e vi o time sair na semifinal do campeonato estadual seguinte para o time de...campo mourão! era mesmo muita ironia. e esse time de campo mourão nem teve a decência de tirar o título das mãos do paraná clube!!

e veio a segunda divisão e eu me mudei pro maranhão. notícias esparsas. nenhuma possibilidade de assisitir a um jogo televisionado, nem de ir a estádios, haja vista que os times do maranhão estão na terceirona, quando muito.

e é assim que fui acompanhando meu time, vendo ele começar o campeonato capengando, se acertar lá pela metade e se sagrar campeão do primeiro turno da segunda divião

a essa altura eu já bradava no trabalho: "classificação pra primeirona o escambau, não me contento com nada menos que o título".

e o futebol, que começou a me apaixonar a ponto de eu ler tudo que me chegava às mão, não deixa mais uma vez de me surpreender. meu time entrou no segundo turno na liderança e agora nem deve mais subir.

lá vou eu pra mais um ano contgra gama, santa cruz e portuguesa (não, acho que essa nem na segunda vai conseguir estar).

desde que eu comecei a torcer pro coritiba, ele perdeu 2 campeonatos estaduais, teve uma eleição pra presidência pra lá de questionável, caiu pra segunda divisão, me deu esperanças de uma subida gloriosa e agora se perde pro atlético mineiro e quase não tem mais chances de subir.

pelo jeito sou pé-frio. esse time decepciona mesmo, quando parece embalar, lá vai ele perder 4, 5 partidas seguidas (foi assim quando caímos pra série B) e as perspectivas de melhora inexistem.

então porque continuo torcendo por ele?

sábado, 4 de novembro de 2006

atendendo a pedidos.

conforme sugerido pelo césar - do 16 tonelada – cá estou falando mais um
pouco de minhas viagens pelo interior.
seu Talo-Seco, 76 anos, também conhecido por Manoel Goela (ou ainda, segundo
ele mesmo, por outros 86 apelidos) , pai de seu Café, me saiu com essa a
respeito do filho:
“Eu fui obrigado a criar o homem, já que a mãe largou ele se arrastando por
aí”.
havia tal simplicidade a inexistência de amargura na fala que não tive coragem
de perguntar se seu Café era adotado. seria macular o momento com
impertinências.
e criou muito bem. Café dá gosto! já ampliou a casa de tijolos à vista;
transformou a antiga casa de madeira em galpão; é presidente da associação de
moradores e segue firme e forte cuidando da família e sem reclamar do
trabalho.
pode-se dizer que seu Café é hoje o Prático, o mais diligente dos 3 porquinhos,
já passou pela taipa de barro, assim que pôde construiu uma casa de madeira e
agora já faz a reforma da casa levantada com o crédito do INCRA.
seu Café do dente de ouro. deu um balão no construtor que queria lhe passar a
perna. o empreiteiro chegou com a boca toda doce oferecendo agrados. Café não
se rogou, amansou o malandro, cozinhou-o em banho-maria, ouviu em silêncio o
que ele queria falar, não fez nem que sim nem que não...e fechou negócio com
outro!
a diligência de seu Café é daquelas raras, de fazer ter esperança na
humanidade ou, ao menos, na possibilidade de certas reformas darem certo nesse
brasil afora, eles só precisam encontrar os alvos certos. seu Café é um deles.
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analisando o post acima eu percebo como faz sentido minha teoria: não consigo
ser cínico, sou um esperançoso incorrigível, jogo em cada fragmento de
expectativa a salvação do mundo e de minha alma.]

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uma nota rápida: não houve o show do nação. a desculpa que deram foi a greve dos controladores aéreos. então tá!! parece que esse produtor já furou outras vezes, o cara é mestre emdivulgar shows que não ocorrem. agora tenho que reembolsar minha grana, mas pra isso vou ter de ir até a casa do figura. pelo que ouvi falar prevejo dores de cabeça pelo mês vindouro e uma visita ao juizado especial.... (no final de tudo não fui o primeiro fã do nação, fui é o primeiro dos patos!!!)