há uma contradição na questão do gênero aqui no maranhão. de início percebe-se facilmente a influência das mulheres no campo. quer pela presença maciça nas reuniões dos assentamentos, quer pelo fato de praticamentetodas as associações do interior utilizam a nomenclatura sindicato dos trabalhadores e trabalhadorAs rurais. as mulheres também, aparentemente, são mais preocupadas com a educação. hámais analfabetos entre os homens. e já vi mulheres treinando pra fazer bonito na hora de assinar o contrato de crédito.
contudo, se na forma elas já conquistaram seu espaço o mesmo não se pode dizer do conteúdo. o próprio fato de mulheres serem mais voltadas à educação já revela um machismo inerente, como se ir à escola fosse ‘coisa de mulher que vai virar professora’ enquanto os homens do campo deveriam dar mais atenção à roça.
as próprias mulheres continuam aferradas a costumes que traduzem sua desigualdade. de todas as vezes em que almocei na casa de assentados, em nenhum momento a mulher sentou à mesa conosco. sempre que perguntava, me diziam que já haviam almoçado, junto com os filhos. o mais provável é que seja verdade,raramente almoçamos cedo no trabalho de campo, por conta das inúmeras pendências a serem resolvidas. mesmo assim, os homens da casa sentam conosco. a única mulher a nos acompanhar é a servidora do INCRA (mas essa deve ser colocada em outro patamar pelos campesinos, afinal, é uma‘dôtora’). ademais, dfinda a refeição são as mulheres quem retiram a mesa,nunca vi um dos homens ajudar nesse serviço ‘de casa’.
e, ao que tudo indica, isso ainda vai se perpetuar por muito tempo. a maioria das mulheres parecem crer que a elas cabe o serviço da casa, mesmo quando são elas quem provêm o sustento da família com a produção. é o caso das quebradeiras de babaçú, que são as responsáveis por todas as etapas de extração e manuseio da semente. os homens limitam-se, quando o fazem, a replantar mudas de babaçú.
a médio prazo não vejo uma mudança significativa nos costumes do campo. todos os repetem e não vi ninguém que os questionasse. e isso vale até para os servidores - e servidoras - do incra.
enfim, não quero entrar em digressões a respeito de um tema que não domino. mas me parece peculiar essa ‘conquista’ das mulheres. elas certamente têm o reconhecimento semântico de que trabalham no campo. por outro lado ganharam deveres e e nenhum direito a mais em suas casas.
no âmbito do politicamente correto estamos perfeitos aqui no maranhão, mas o tratamento dado às mulheres pelos homens ainda é desigual. seria preferível utilizar o gênero masculino na nomenclatura das associações e equiparar as funções de ambos.
mas esse é o mundo em que gostaria de viver, o mundo em que vivo é muito mais cheio de absurdos e estupidez.
2 comentários:
corretíssimo.
politicamente correto é coisa de gente com dor na consciencia.
poxa, muito lindo o q tu escereveste lá no blog. vo marc o nome do cara.
15 minutos? Tanto assim? Bjão.
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