segunda-feira, 30 de outubro de 2006

formalismo genérico

há uma contradição na questão do gênero aqui no maranhão. de início percebe-se facilmente a influência das mulheres no campo. quer pela presença maciça nas reuniões dos assentamentos, quer pelo fato de praticamentetodas as associações do interior utilizam a nomenclatura sindicato dos trabalhadores e trabalhadorAs rurais. as mulheres também, aparentemente, são mais preocupadas com a educação. hámais analfabetos entre os homens. e já vi mulheres treinando pra fazer bonito na hora de assinar o contrato de crédito.

contudo, se na forma elas já conquistaram seu espaço o mesmo não se pode dizer do conteúdo. o próprio fato de mulheres serem mais voltadas à educação já revela um machismo inerente, como se ir à escola fosse ‘coisa de mulher que vai virar professora’ enquanto os homens do campo deveriam dar mais atenção à roça.
as próprias mulheres continuam aferradas a costumes que traduzem sua desigualdade. de todas as vezes em que almocei na casa de assentados, em nenhum momento a mulher sentou à mesa conosco. sempre que perguntava, me diziam que já haviam almoçado, junto com os filhos. o mais provável é que seja verdade,raramente almoçamos cedo no trabalho de campo, por conta das inúmeras pendências a serem resolvidas. mesmo assim, os homens da casa sentam conosco. a única mulher a nos acompanhar é a servidora do INCRA (mas essa deve ser colocada em outro patamar pelos campesinos, afinal, é uma‘dôtora’). ademais, dfinda a refeição são as mulheres quem retiram a mesa,nunca vi um dos homens ajudar nesse serviço ‘de casa’.

e, ao que tudo indica, isso ainda vai se perpetuar por muito tempo. a maioria das mulheres parecem crer que a elas cabe o serviço da casa, mesmo quando são elas quem provêm o sustento da família com a produção. é o caso das quebradeiras de babaçú, que são as responsáveis por todas as etapas de extração e manuseio da semente. os homens limitam-se, quando o fazem, a replantar mudas de babaçú.

a médio prazo não vejo uma mudança significativa nos costumes do campo. todos os repetem e não vi ninguém que os questionasse. e isso vale até para os servidores - e servidoras - do incra.

enfim, não quero entrar em digressões a respeito de um tema que não domino. mas me parece peculiar essa ‘conquista’ das mulheres. elas certamente têm o reconhecimento semântico de que trabalham no campo. por outro lado ganharam deveres e e nenhum direito a mais em suas casas.

no âmbito do politicamente correto estamos perfeitos aqui no maranhão, mas o tratamento dado às mulheres pelos homens ainda é desigual. seria preferível utilizar o gênero masculino na nomenclatura das associações e equiparar as funções de ambos.

mas esse é o mundo em que gostaria de viver, o mundo em que vivo é muito mais cheio de absurdos e estupidez.

fã nº1???


definitivamente não. eu gosto do nação zumbi e esse é, sem sombra de dúvida o show que mais aguardo desde que aportei nessas terras. mas daí a ser o maior fã deles há um abismo de diferença. existem pelo menos meia dúzia de bandas brasileiras que têm minha preferência, os conterrâneos domundo livre s/a estão entre eles.

não obstante, num lugar em que funcionária da loja que me vendeu o ingressopensa que nação toca reggae e que a assistente do oftalmologista sequer ouviu falar da banda (mas ela me confidenciou que vai no show do aviões do forrósexta que vem), até que é bem provável que eu seja o mais próximo de um fãn°01 no maranhão.

a verdade é que já passei da idade de ser fã alucinado de quem quer que seja – houve uma época em que pensava que, se gostasse de uma banda, tinha aobrigação de gostar de todas músicas da banda. enfim, besteira de adolescente.

agora, é inegável, como o canto direito da foto demonstra, que sou o ingresson°01. e isso me é mais do que suficiente.

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um recado pra desdêmona: há diferença entre ler meu blógue e comentá-lo. e eu tenho uma consideração maior pelos segundos. se vocês aparecem aqui façoquestão de saber. é como meu aniversário, não sou o maior entusiasta ao comemorá-lo, mas adoro receber os presentes!!! (sim, eu sou um chato, mas vocês não sabiam, disso até agora?!)

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

utilidade pública

informo uma coisa ridícula que me aconteceu no trampo e que ainda via render comentárioas irados num futuro próximo:

aqui no incra acabaram de bloquear tudo de internet!!! nõ só os costumeiros orkuts, youtubes e messengers (com esse bloqueio até concordo). mas quase todo site que não tenha presente um '.org' ou '.gov' está bloqueado.

em resumo, não apenas não posso mais acessar esse blógue do trabalho (ainda que a maior parte do tempo eu apenas o fizesse fora do horário de expediente), como até mesmo meu email não está acessível.

ou seja, não estranhem minhas aparições bissextas nas próximas semanas (embora secretamente eu desconfie que essa política do setor de informática não vá perdurar...)

só no maranhão?

não sei, mas saint-louis definitivamente é um lugar peculiar.
aqui o profissionalismo ainda engatinha e é vista como uma coisa esquisita, as pessoas não parecem saber para que ele serve.

longe de mim defender o discurso do empreendedorismo, muito pelo contrário. me incomoda aquela preocupação excessiva com a carreira que são paulo pujantemente exala!!! em são paulo, aliás, tudo são negócios, toda vez que passo no aeroporto pauista vejo dezenas de engravatados em seus laptops na sala de espera de vôos, ainda se estivessem brincando na internet vá lá, mas eles aproveitam pra digitar relatórios e adiantar o serviço (apenas para poder produzir mais, de modo sísifico), e os balcões e mesas de restaurante viram ambientes de reuniões até o momento do embarque.
no caso de são paulo aquela propaganda da empresa aérea TAF (acho que esse é o nome) em que um bando de gente se avoluma num banheiro de avião pra fazer uam reunião - com direito a serviço de bordo - passa da categoria de liceñça poética para quase absurda realidade.

só o que peço é um pouco de compromisso e seriedade. só quero que cumpram com a palavra empenhada, só isso - nem que seja pra deixar claro que eles não querem prestar serviços. já fiquei de molho um dia inteiro em casa esperando o chaveiro aparecer (e só fui liberado porque fui atrás de outro chaveiro e o trouxe de coleira até o apartamento) e fiquei um fim de semana inteiro com água precária enquanto o encanador não dava as caras (novamente, ele só surgiu quando fui á unha até a casa dele, a 200 metros do meu prédio!).
cada um desses casos renderia um post próprio, mas a gota d'água que que motivou meu comentário foi uma história menos raivosa e mais divertida:

para meu deleita, a rádio universitária anunciaum show do Nação Zumbi (finalmente um show de uma banda de fora que faço questão de ir ver) dia 03 de novembro próximo. a locutora usa aquela entonação típica de gente 'descolada' e, por conseguinte, enervante. nem por isso me deixo abalar e vou até a loja do shopping responsável pela venda antecipada (e com desconto) dos ingressos da festa 'manguetown'.

chegando lá eu percebo logo que saint-louis não é a 'town' do mangue (ainda que eles existam em quantidade respeitável por aqui) pois os ingressos não só nao estão à venda como os vendedores desconhecem o fato de que eles deveriam estar vendendo ingressos. isso mesmo, ninguém os avisou que eles venderiam, nem um gerente pra informar. seria pedir demais que alguém os avisasse que os ingressos estariam à venda a partir de determinado dia, de modo que nem me dignei a fazer esa pergunta.

mas eu continuo conversando numa boa com os vendedores que, afinal, não tem culpa de nada. explico que a rádio já está anunciando a pelo menos dois dias o tal do show do 'nação'. eles me ouvem estupefactos.
então eu ouço a pérola que me faz concordar com meu amigo itamar - em conversa providencial horas antes o baiano me afirma que os ludovicenses estão conhecendo aora o que nós já vivemos 10 anos atrás. em unão disse nada na hora mas secretamente pensei: "besteira, até parece que em tempos de informação desenfreada eles já não iam saber da boa música do nação". e a famigerada vendedora derruba meus argumentos com a seguinte frase:

_ Nação Zumbi?! O que eles tocam, reggae?

eu segurei minha veia sarcástica, me esforcei para não parecer esnobe, disse apenas um 'não, eles ticavam com chico science' e fui embora antes que ela me decepcionasse mais perguntando quem era esse chico....



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ps: pô, minha mãe nem saber quem é nação zumbi vá lá, mas uma vendedora de shopping do centro da capital é demais pra minha parca tolerância

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

não, não é o apocalipse....


....essa notícia é só a confirmação de minha teoria:

"CHIPS DO FUTURO
O refrigerador Frost Free Side by Side da LG possui a maior tela de cristal líquido nesse segmento
Por Felipe Marra Mendonça


É isso mesmo, uma geladeira com uma tevê de 15 polegadas embutida. Com conexões para DVD, cabo e rádio AM/FM, ela possibilita assistir a um vídeo de culinária na cozinha durante o preparo da refeição, por exemplo."



AS ORGANIZAÇÕES TABAJARA DOMINARAM O MERCADO!!!!

esse produto, junto com o bis laranja e a skol lemmon, não deixam mais dúvidas: eles estão em todos os setores e não vão parar antes de avacalhar com qualquer produto que você imaginar.

o que mais falta inventar, o aspirador de pó com mp3 player? (se já não o inventaram)

deixo-os por aqui, já que a estupidez humana, mais uma vez, me deixou estupefato.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

interior adentro

teclando direto de santa luzia do paruá, terra de quase exclusão digital!!!
foi uma dificuldade achar uma lan house por aqui. mas enfim, das outras vezes que passei por aqui eu nem estava procurando mesmo.
falar bem a verdade, eu também não estava à procura dessa vez. o caso é que fiquei com um baita tempo livre nessa minha viagem pelo incra interior adentro. já estava cansado de ficar na frente do hotel olhando o tempo passar, o que é comum de se fazer por essas bandas. quem veio me passar a informação da existência de uma lan house na cidade foi um mineiro que conheci também no hotel.

de modo que cá estou. e aproveito o ensejo pra falar da cidade.

santa luzia do paruá é uma típica cidade que floresceu à beira do caminho. a rua principal, não por coincidência, é a BR e, quer à direita quer à esquerda, a zona urbana não se estende por muito mais do que umas quatro ou cinco quadras. depois temos a imensa regiao rural. e olha que santa luzia é uma das maiores cidades da região (com seus cerca 20.000 habitantes).

santa luzia já no nome mescla duas características bem presentes no interior do maranhão. por um lado temos a influência católica ainda bem forte (assim também temos santa inês, santa luzia do tide etc). bem verdade que muito espaço foi perdido para os neo-evangelistas (tanto que fui num assentamento em que a vila nem tinha iniciado construção, mesmo assim a 'assembléia de deus' onde realizamos a reunião já estava pronta - só assim para eu falar do púlpito). por outro lado temos o lado indígena que, mesmo quando renegado, se manifesta nos traços e personalidade da população (vide o próprio nome do vale, paruá, assim como as cidades de cujupe, maracassumê, turi-açú...).

agora, o que é gritante aqui na cidade é a estátua da santa. fica bem no meio da praça, de frente pra BR, e é impossível não vê-la ao passar pela cidade (é mais fácil tu não ver a cidade), tem mais ou menos o tamanho do king-kong, uns 4 andares e é notável a uns 5 km de distância.
sei lá o que fez essa santa, nem porque escolheram a ela como padroeira. mas ela fica bem em frente ao hotel em que estou hospeddo e não tenho como não prestar atenção no rosto da santa. ela tem aquele olhar sonso que o senso comum usa confundir com inocência (pra mim não passa de um olhar besta mesmo, um olhar passivo daqueles de quem deixa a vida seguir sem se incomodar em atuar no mundo). numa das mão segura um indefectível ramo de oliveira (mais um sinal de pureza, argh!). mas o toque macabro fica numa bandeja na outra mão. veja bem, por aguma rzão que desconheço (e essa ignorância vai perdurar pois não me digno nem a procurar no google) essa sana é a protetora dos olhos e, dizem, curandeira de cehos e outras deficiências visuais. por isso, alguém inventou de esculpir dois olhos numa bandeja, seguras pela santa. e, como se não bastasse, pintaram os olhos com íris azuis.

sinceramente, na minha opinião, a santa é uma psicopata que adora servir os olhos de suas vítimas aos fiéis, devidamente temperado com azeite de oliva (é isso que o ramo deve significar).
só me surpreende que mais ninguém tenha pensado isso ao ver a santa, a conclusão é por demais evidente!!! tivesse eu uma câmera digital mostraria umas fotos e desafiaria qualquer um dos leitores a pensar diferente (mas nao vale mentir, eu saberia se vocês estivessem mentindo!!!).

murilo, teorias esdrúxulas trazidas com exclusividade de qualquer canto do país!

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

acontecimento

pessoal,
eu sei que o "assistente pra gravação do windows media player" (que nome mais 'produtos tabajara' não?) é uma coisa absurdamente idiota de simples.

mas o fato é que em termos de internet eu sou o homer simpson.

então, é com orgulho que anuncio que hoje gravei meu primeiro cd num computador.

e isso se torna um evento ainda mais importante na medida em que tenho uma teoria sobre 'a capacidade de cada geração lidar com tecnologia'
(tenho milhares de teorias, aliás, tenho teorias pra quase tudo que cerca minha vida)

enfim, de acordo com a minha teoria, cada geração desenvolve uma capacidade maior para lidar com a tecnologia do que a geração anterior. é assim que explico, por exemplo, como moleques de 13 anos dão um banho em mim nesse quesito (mas tudo bem, eles ainda vão passar pela adolscência e milhares de desilusões amorosas, pobres tolos, bwahahahahhaha - risada maléfica patenteada). de todo modo, cada geração tem um limite, à medida em que chegam novas tecnologias mais defasadas as gerações mais antigas vão ficando. o limite pessoal é influenciado pela genética. como minha mãe pertence à geração pré-vídeo-cassete, não sabendo nem ao menos mexer nesse aparelho e tampouco tendo bagagem semiótica para encarar uma página internáutica, vocês podem inferir a dimensão de meus limites!

posso dizer que sou da geração pós-computador e primoórdios-da-internet (anterior à pré-orkut), de modo que gravar cd's para mim era coisa de laboratório e de gravadora, com inúmeros aparelhos cheios de botões e outros itens meio espaciais. é uma surpresa pra mim meter um disco numa torre de computador e, 10 minutos depois, colocá-lo no cd player. sabia que era possível, já vi amigos japoneses fazerem, mas nunca tinha experimentado. isso porque sou, no máximo, um usufrutuário da tecnologia - sei manusear um cd player, um mp3 playe, ver emails e mexer no dvd - mas nunca me considerei apto para os aspectos mais estruturais da tecnologia. esse lance de instalar programas, transformar arquivos de um modelo em outro ou mesmo mexer em programas geradores de imagens não era comigo.

daí a necessidade desse post.

saibam, ó tolos mortais, que no dia 06 de outubro de 2006 murilo marostega zibetti, sem ajuda ou influências externas, superou sua inaptidão tecnológica e gravou seu primeiro cd!! o vulgo não renunciou, porém, às suas raízes, o que se demonstra pelo conteúdo do disco compacto: 'surfer rosa' do irrefreável pixies!!!

até mais nerdys baões de computador e excluídos tecnológicos!

na praça

voltemos então a falar das coisas daqui.
ontem a cidade foi sacudida por um mega-evento, anunciado pela rede globo local (a tv mirante, anagrama para tv mentira) e patrocinado pela 'responsável socialmente' vale do rio doce (como robert crumb, ainda vou demorar pra confiar em capitalistas gordos e suas grandes empresas), a apresentação da Osquestra Sinfônica Brasileira (OSB pra facilitar) numa das maiores praças da cidade, a Maria Aragão.

a bem da verdade, eu nem tava muito animado a ir ver. mas o acaso e um pouco de conformismo me levaram até a praça. e explico porquê:

- estava eu voltando de ônibus pra casa, começo de tarde, depois da natação e de um dia 'suado' de trabalho (creiam-me as aspas são necessárias). em determinado momento o trânsito parou. mas parou mesmo, naõ se andava nada (pra ser mais exato se andava a uma taxa de 20 metros a cada 5 minutos), culpa da apresentação, que obrigou todos os ônibus a refazerem o rote4iro para que não passassem próximos da orquestra (o que, verdade seja dita, realmente prejudicaria a execução dos clássicos). eu tava cansado, com fome e bravo porque meu mp3 player tinha queimado (e consequentemente não podia ouvir música no trajeto, mas hoje, afinal, já o consertei). ainda estava distante de casa (usn 5 quilômetros, eu creio).
como já tava de saco cheio, decidi que andar seria ao menos terapêutico.

e assim cheguei na tal praça maria aragão (lá tem um palco ao ar livre bem ao estilo nyemeyer, com uma daquelas estruturas em curva). como já estava por lá, e queri descansar da caminhada de cerca de 2 km, resoplvi por lá ficar.
tinha gente a sair pelo ladrão, mais de 10 mil pessoas seguramente. mas, como sozinho é mais fácil de se embrenhar, consegui chegar na grade e ter uma boa visão do espetáculo.

aqui há um ponto que me estressou profundamente. logo em frente ao palco haviam colocado algumas cadeiras pro 'pessoal vip' (odeio esse povo inominado qeu, sabe-se lá porquê, deve ficar melhor instalado que 'a 'geral'). pior ainda, apenas metade das cadeiras estavam ocupadas; e assim permaneceram durante o show inteiro. essas cadeiras elitizadas e cercadas por seguranças e grades são de causar asco. vejam bem, eu não fiquei apertado nem desconfortáve, mas porque diabos algumas pessoas tem direito a ficarem sentadas de frente pro palco enquantro o resto fica de pé ou sentado nas escadarias da igreja? a lógica seria 'chegou primerio, pegou o melhor lugar'. mas esse mundo tá todo errado mesmo e não adianta argumentar.

outra coisa irritante é a sacralização da arte. ou melhor, a fashionização. vejam bem, o espetáculo era numa praça, do lado de um rio que deságua no mar. lugar simples e público, portanto. ainda assim, as pessoas vestiram seu melhor traje e foram pra praça. porra, eu gosto de orquestra e volta e meia entro em êxtase ouvindo aquele tchaickoviski de sonoridade forte ao vivo, mas nem por isso eu precisei me emperequetar pra OUVIR uma peça. a sacralidade de uma obra de arte está no espectador, no que ele sente ao apreciar a obra, e não na vestimenta que o mesmo utiliza pra ir apreciar (isso é puro status). e tem mais, isso revela como a definição 'alta cultura' ainda cabe porque as pessoas aceitam essa mesma definição. e acham pois que só são dignas de estarem presentes num ambiente de 'alta' cultura se se arrumarem, assim não serõa tão desrespeitosos e serão aceitos pela 'elite entendida' (e sei que, com a minha brancura aparentemente européia, muitos já me achavam refinado, mas isso é vestir o estigma que o opressor quer colocar no oprimido). mas vem cá, me diz o que é mais desrespeitoso, eu aparecer de chinelos no teatro ou deixar o celular tocar no cinema? e os malditos celulares infestaram todos os lugares, as pessoas não se importam mais com o ambiente e muitos conversaram durante toda a apresentação.
de fato, creio que a 3 mulheres ao meu lado estavam lá mais mostrando que buscavam conhecer sinfonias e poder mostrar as fotos gravadas no celular pras amigas do que pra apreciar mesmo a orquestra. tanto que prestaram mais atenção ao operador do telão (o qual por sua vez passou a apresentação toda jogando paciência no computador, mas ele tem a desculpa de que não queria estar lá, estava apenas cumprindo sua função).

enfim, isso tudo são rabujices minhas, dado o enorme contingente populacional, até que os barulhos foram poucos, o povo foi bem respeitador e cochichou pouco durante as apresentações. o maestro foi ótimo, me lembrou a maestrina do meu coral - quando a gente ia se apresentar em comunidades - explicando como funcionava uma orquestra e como o público reagia appós aas apresentações em cada lugar. e o público ludovicense reagiu bem, participou batendo palmas ritmadas em certos momentos, a pedidos do maestro (é, se criar em bumbas-meu-boi faz diferença na formação rítmica d eum povo, duvido que os curitibanos tivessem essa desenvoltura).

em suma, toda a fome, cansaço e mal-humor sumiu quando o amestro iniciou a sessão e mais de 10 mil pessoas entoaram o hino nacional de cabo a rabo. nosso hino é piegas pacas, mesmo assim eu adoro ele!!!

e pro hoje chega que já falei demais! depois eu cito algumas curiosidades da apresentação.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

da natureza do drama.

um bom drama tem que criar um vínculo de identidade com o leitor.
para tanto um recurso útil é o uso de questões universais e conceitos amplos e abstratos. assim o leitor/espectador preenche as lacunas com suas experiências/idéias pessoais.

ou seja, é muito mais fácil que sejamos cativados por um herói que luta contra a opressão de um povo (colocamo-nos na posição fantasiosa de libertador também, ou sentimo-nos justiçados enquanto oprimidos) do que por um herói economista que tem que lidar com o cálculo dos limites trigonométricos da expansão de lêmures na costa do marfim (tá, o exemplo é esdrúxulo, mas não consegui pensar em nada mais chato).

como a política já foi ao teatro (que o diga brecht) e depois ao cinema (que o diga walt disney) nada mais natural que o teatro fosse à política.
e assim se explica o uso de termos cada vez mais abstratos quando tratamos de depoimentos de políticos.

o que motivou o post de hoje foi a declaração de alckmin, tentando se desvincular do apoio oferecido por garotinho. ele veio com um papo ao estilo 'não vou renegar apoios, mas eles não implicam em compromissos' (ou algo parecido) e completou: 'tenho um só compromisso, com o povo brasileiro'. ah, por favor, pra cima de mim com essas frases de efeito de novela das 8? então ele posa ao lado do cara, sorri pras câmeras e agora não assume a paternidade do garotinho?! pra cima de mim não violão!!

não vou eximir lula do uso do drama. mesmo porque basta ver qualquer campanha eleitoral. até a HH sucumbiu à 'heleninha paz e amor'.
mas ao menos lula não é tão canastrão quanto alckmin.

legal é ver os medalhões tucanos explicando o apoio do garotinho. fhc, príncipe da divercionice, saiu-se com esta: "voto não se despreza. você não vê, por exemplo, o lula, desprezando o voto do collor". como se diz tradicionalmente em réplicas de debates: "o candidato não respondeu à pergunta". até porque, pela própria história pessoal, lula nunca subiria num palanque com o collor não é mesmo? seria mais que pacto com o diabo uma coisa dessas - pacto com o diabo é apoio do sarney - seria o supra-sumo do samaritanismo, o lula teria que ser divinamente magnânimo pra esquecer collor e o que ele representou pra sua trajetória política.

pois é, com tantas declarações, no mínimo, surreais, abundando, só tenho a acrescentar à guisa de conclusão: que falta stanislaw ponte preta nos faz.


e mais não digo porque ninguém mais me lê mesmo nesse blógue que já perverteu e ignorou sua função de comentar o maranhão!

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Lula foi ajeitar a meia...

E vai dar segundo turno. Tanto melhor, não porque eu queira Alckmin, longe disso. Mas é porque acho que Lula tava sofrendo do ‘mal de parreira’. Os sintomas eram claros: excesso de confiança, petulância, teimosia, atuações que não convencem e alheamento da realidade.
Como bem disse um dos inúmeros comentaristas, com o qual concordo: o eleitor pode nem lembrar o que foi discutido no debate, mas queria que Lula ao menos comparecesse para prestar explicações (mesmo explicações tacanhas já serviriam, grande foi o erro de Dom Lula). Ey-ey-eymael estava certo: ‘a cadeira está vazia’. Hahahahhahahah.
Lula parou pra ajeitar a meia, tal qual Roberto Carlos. A sorte dele é que Alckmin não é nenhum Thierry-Henry e a cabeçada (ainda) não é fatal.
Agora é luta.

Em tempo>: é preciso deixar claro que voto em Lula no segundo turno. Concordo com o Plínio de Arruda Sampaio, que diz que ele é o menos pior dos candidatos. Votei no Cristovam no primeiro turno, em parte porque concordo com o programa dele e preciso votar ideologicamente pra ter a consciência tranqüila, em parte porque ele foi o único que resolveu falar4 do programa de governo (mesmo sendo monotemático, ao menos ele tem uma idéia pra governo, coisa que os outros não deixaram claro, aliás, os outros só propunham seguir com a maré), em parte também pra dar uma lição no Lula de que a situação não tá fácil como ele pensa....e em parte porque tenho uma fascinação pelos fracos, pelos pequenos, por aqueles que não tem chance.

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No fim quem já saiu vencedor do pleito foram pfl e psdb, que devem ter maioria no congresso. Ou seja, numa provável eleição de Lula ele tá lascado, tendo que governar apesar do legislativo. E vamos ver se a tão propalada reforma política vêm mesmo (eu tenho cá minhas dúvidas).

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Vi sobre um protesto bem humorado de pessoas que vestiram narizes de palhaço na hora do voto. Quer saber. Acho uma tremenda bobagem! Pra mim eleitor é mulher d emalandro, diz que não o respeitam. Mas também ele não se dá o mínimo respeito. O que dizer de pessoas que recolocam o Collor no jogo político? Que elegem um senador por uma estado que não é o do político (caso doSarney)? Onde está o voto consciente de são paulo ao eleger o nada santo paulo maluf? Às vezes eu sito vontade de desistir da humanidade...o que me salva são pequenas pílulas, como o repúdio ao acm na bahia. É pouco mas é o que basta para alimentar minhas esperanças de que a gente ainda tem jeito.

Mas ainda falta um grande caminho....