sábado, 26 de agosto de 2006

do outro lado do fone de ouvido


ontem conheci uma rádio por dentro, a rádio universitária da cidade. tá, a programaçã poderia ser mais ousada e o tempo de propaganda poderia ser mais curto, não é uma lúmen fm mas dá pro gasto e é a melhor opção pra fugir de jovem pan, rádios evangélicas ou dial-forró.

a estrutura da rádio é excelente, mas conhecê-la foi como ver um truque elaborado pelo mister m (mas sem a locução insuportável do cid moreira). agora, toda vez que a escuto já visualizo a sala de locução. é como se parte da magia se perdesse. normalmente, na falta de um espaço pros nossos olhos, os ouvidos servem de referência pra mente montar os ambientes, era divertido imaginar as pessoas por trás das vozes do rádio. agora, pelo menos no que concerne à Rádio Universitária 106,9 FM, vai ficar mais difícil abstrair.
mas não impossível. já na volta pra casa da visita, passando pela ponte são francisco enquanto ouvia 'hurricane' do bob dylan esqueci o ambiente da rádio e tive vontade de gritar. o visual bacana das luzes sobre as águas, combinado com uma boa música me fez crescer a empolgação. não saí correndo gritando como gostaria, mas acho que falei alto pro vento algo como ' a vida é boa pra caralho' porque os poucos presentes no ônibus passaram a me olhar esquisito.
quer saber? dane-se! olhares de esguelha nunca me impediram antes.

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e já que esqueci de ligar pra minha mãe como todo filho comportado deveria fazer. já que ela teve que me ligar pra me lembrar do aniversário DELA, resolvi deixar a data registrada aqui no blógue assim nenhum dos outros leitores vai esquecer. e talvez ano que vem até me lembrem da data.

beijos dona LACI. tu não é imortal, mas age como se fosse, tu não é alta, mas anda como se fosse. tu nãoé mais jovem, mas deixa muita rapariga no chinelo.

e tu não é mãe de muita gente que gostaria de te ter como mãe. vai ter que se contentar sendo apenas a MINHA mãe, desse filho desnaturado que zarpou pro outro lado da linha do equador.

continue com os cabelos revoltos caindo nos olhos brilhante, continue com seu falatório estabanado e suas idiossincracias cativantes.

beijos de escusas do teu filho, murilo.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

FEBEAPA generalizado


é só atentar ao horário eleitoral para uma série de atentados nos atingir.

vá lá, fidelidade partidária é tão folclórico quanto isto aqui, e o PCC deve ser o único dos 'pês' a manter seus princípios.

mas aqui no maranhão a incoerência já ultrapassou o absurdo há milênios. senão vejamos:

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sabe quem é o maior crítico ao PFL por aqui? o PSDB!! claro que eles já foram 'amiguinhos', mas hoje estão 'de mal'.

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roseanna apóia abertamente a reeleição de lula, este por sua vez elogia o sarney num palanque. claro que eles já estiveram 'de mal', mas hoje são 'amiguinhos'.

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o PV tá coligado com o PFL, culpa de mais um sarney, dessa vez o filho, que se espraiou por esse partido. é gabeira, dorme com esse barulho.

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os sarneys aqui, aliás, proliferam em cada canto, qaulquer laço sanguíneo já é motivo pra usar o sobrenome. e olha que sarney era nome, foi o ex quem transformou-o em sobrenome

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no senado o cadidato Cafeteira apoía 'a moça', ' rosinha'. claro que eles já estiveram 'de mal' - quando disputaram o cargo de governador - mas hoje são 'amiguinhos'.

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por tudo isso, não é de se estranhar que tenha candidato a deputado do PT que apoiando a candidatura a governador do PSDB (esse pelommenso não o faz abertamente).

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"A vida te convida a votar em mim". (washington rio branco, candidato a deputado federal). que merda de vida hein?

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Antônio Carlos - candidato a dep. estadual - já foi campeão de natação e pede meu voto. com essa argumentação e essa lógica impecável é certo que votarei.

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"Agora é comigo, e com as pessoas de bem dese país".
Papai Noel é candidato? (o Eymael devia se candidatar à protagonista do 'Zorra Total', bordão à altura ele já tem).

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e o que é aquele biquinho do Cristovam Buarque, não é uma graça?! parece que ele 'não brinca mais' depois que o tio lula afastou ele do ministério.

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ah, e não dá pra engolir, com as devidas proporções, a versão cor-de-rosa-sangue do 'lulinha paz-e-amor". não sei porque essa heloísa sorridente não em convence.

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alguém aqui mandou um email pro TSE manifestando o repúdio à impugnação da candidatura do PCO?

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por hoje é só, até semana que vem com mais material de campanha!

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

post em linhas tortas

eis o que me evoca a comédia eleitoral gratuita:

Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza...
(Álvaro de Campos)

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também estou farto de príncipes no panorama político!!!
onde está alguém com coragem de se anunciar sapo?!

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

dentro d'água


Ele é mais jovem, mais rápido e mais forte que você.
E ainda ssim você insiste em se comparar a ele. Mais, você insiste em superá-lo.
Eu tentei, juro que tentei. Durei uma semana. Depois disso, foi inevitável, tive de olhar para a raia do lado.
E aquele garoto que nem sabe fazer virada na borda da piscina está nadando mais do que eu! É natural, ele treina há mais tempo, tem mais ritmo e resitência. mas nenhum argumento, por mais convincente, me importa.
A natação me causa um estranho espírito de competição aliado a um senso de superação. Sei que há muito muito melhores do que eu. Mas não admito ser superado por um equivalente. E segui tentando acompanhar aquele garoto da raia ao lado que nem devia saber que disputava comigo (ou sabia? às vezes eu tinha a impressão de que ele também se sentia incomodado comigo). E assim vi ele se distanciar 25, 50, 75, 100 metros! Ao final do treinoele nadara 200 metros a mais. Mas eu obtive minhas pequenas vitórias; em condições iguais eu o superei em alguns tiros livres de 100 metros, isso porque eu não parava um segundo na borda.
Parece mais obsessivo do que é (é obsessivo mesmo assim) e quem em conhece deve estranhar o tom de disputa (logo eu, que não jogava 'War' porque detestava ter de atacar os outros). mas a natação faz isso comigo. Claero, eu coloco limites. Eleger alguém melhor do que eu para superar serve como incentivo, impede que eu faça corpo mole. E depois tem mais, se sou relapso em outrosramos da minha vida na natação sou rigoroso. E não mudo meus padrões, se digo que não vou parar antes de determinada metragem nem uma ameaça de caibrã me fará parar (embora uma caibrã de verdade - que ainda não correu - possa fazê-lo).
A natação é minha satisfação porque é onde cumpro promessas internas (tão desrespeitadas em outros aspectos da minha vida).
O outro lado da satisfação está em saber que estou fazendo o exercício de forma bem-feita e ter a percepção de melhora. É um dos poucos locais em que me sinto apto ao que estou fazendo.
Não é o que ocorre quando, por exemplo, jogo pinball. Adoro pinball e sou nervoso jogando. Fico tentando pegar toda a lógica - e toda a manha - da máquina. Mas, quanto mais jogo, mais afoito fico, quanto mais afoito, pior eu jogo. A prática, nesse caso, me faz piorar e me causa frustração (quanto mais treino pior jogo, como é que pode ?).
A natação é o oposto e é por isso que nã tenho receio em ir aumentando meu limites conforme vou praticando. a satisfaçãoo aqui é garantida, e sempre tem algo que vou melhorando.
O guri da raia ao lado que aguarde o próximo treino!

terça-feira, 22 de agosto de 2006

iludindo gotham city


o dia começara normal. sol ainda incipiente, nuvens poucas e um vento leve. o calor de começo da manhã ainda é tranquilo.
a tarde parecia enveredar pelo mesmo tom do verão.
mas virou. o céu nublou. as nuvens carregaram de cinza a paisagem.
de dentro da repartição pública, as luzes frias das lâmpadas fluorescentes era ainda mais mortiça sob o peso de nuvens estufadas. parecia anoitecer antes do tempo.
e a tensão crescia, e não chovia.
antes de arrefecer em forte chuva de um verão típico, um momento atípico e uma garoa brindou a tarde. o vento corria lá fora, apenas uma falsa ameaça.
do lado de dentro da repartição, parei ao lado do ar condicionado, fechei os olhos em direção à janela e criei a ilusão momentânea de curitiba ao meu redor.

saí do trabalho em são luís, onde o mormaço me entregava a realidade de volta e a melancolia não tem a mesma temperatura.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

451ºF


Bom, vamos refazer o texto do Bradbury. Sei que vai sair diferente (já está saindo) mas vou criar uma ilusão que me motiva a prosseguir: vou pensar no texto perdido como um esboço medíocre, o texto atual é um refinamento daquele, foi pensado durante todo um final de semana e tem como base a lembrança de um texto já escrito e que nunca mais lerei. É, portanto, um texto melhor. Claro que isso aumenta as expectativas do leitor e permite uma crítica mais feroz por parte dele. Melhor não pensar nisso se quiser continuar até o final.
Parte da ironia em ter o texto perdido é que o livro analisado também trata de obras perdidas. No futuro de "Fahrenheit 451" os livros foram banidos, e sempre que um é encontrado é queimado. Montag, o protagonista, consegue ler alguns capítulos de um livro - depreende-se ser a bíblia - antes que queimem o mesmo. E ao final encontra uma série de pessoas que não tem mais nome, são conhecidos pelas obras que gravaram na mente. Cada um guarda um conhecimento do passado perdido que deve ser repassado. a cultura serve aos homens, e é nos homens que ela sobrevive.
Mas estou me adiantando. Primeiro cabe mencionar que o impulso pra esse texto veio do blógue do Akira. Sempre me sinto meio burro nesse blógue, mas de uma forma positiva. Isso porque o Akira lê e aplica todos os filósofos e sociólogos que admiro e digo gostar (mas nunca consigo passar da pág. 30 da obra de nenhum deles). Refinado que é, Akira diz que também se sente burro em relação a meu blógue. Finjo acreditar, pra manter minha auto-estima. Agora, sendo um pouco contemporizador, diria que nossas mentes funcionam em focos diferentes. Ele tende à análise global e eu, à narrativa. Ele consegue acompanhar raciocínios científicos e se aprofundar nas metodologias, eu funciono através de exemplos e metáforas. Ele é certo em busca de um caminho que explique as coisas, eu me contento com sombras. O Akira seria voltado a entender o mundo e eu a buscar epifanias. Claro que isso é uma simplificação grotesca, pois ambos nos confundimos em nossos métodos.
Mas voltemos à Bradbury. Ou antes não voltemos, vamos um passo atrás. Dois estilos de literatura sempre me fascinaram: o romance policial e a ficção científica (carinhosamente chamada de FC). Do 1º estilo quem primeiro me agradou foi o Sherlock Holmes de Conan Doyle (a bem da verdade, o primeiro que me cativou mesmo foi Marcos Rey com seus romances de mistério na coleção vagalume, mas não nos atenhamos a preciosismos). De início achava Sherlock o máximo, simplesmente genial. Depois de um tempo comecei a considerá-lo um chato empedernido que coincidentemente detinha todos os conhecimentos iluministas (de certa forma ele é mesmo o apogeu dos limite da razão). Recentemente, refiz as pazes com Sir Conan Doyle ao reler alguns contos do grande detetive e perceber que ele errava - poucas vezes é verdade - em suas suposições. Sherlock é a lógica sábia, sabe que pode se enganar em seu caminho, mas os erros do raciocínio aparecem logo, os seres que raciocinam é que fazem questão de ignorá-los. Sherlock é um ideal porque admitia os erros ao invés de encobrir a visão como tantas vezes fazemos. Por estar tão perto da categoria mítica é que Sherlock Holmes atrai tanto. Não atrai apesar de soar inverossímel, a atração vem porque queremos que seja inverossímel, queremos ser, como nosso herói, tão inverossímel quanto. (mas sigamos adiante antes que isso enverede pelo 'caminho do herói' de joseph campbell).
O outro gênero, a FC, foi-me efetivamente apresentado num romance que se utilizava da narrativa policial: "Robôs do Amanhecer", de Isaac Asimov (e é nessa série que aparece o verdadeiro Elijah Baley, bem diferente do que foi apresentado no filme). Quem me emprestou o livro foi minha prima Ana Cláudia. Aliás, muito pior, quem me emprestou foi um namorado da minha prima à época. Temerário, pois eu poderia nunca tê-lo devolvido (devolvi, pelo correio, mas devolvi). O marco para mim, no entanto, foi o fato de ser um livro com quase 400 páginas! Até então a coleção vagalume - sempre ela - era meu ápice. 120 páginas e com algumas figuras no meio. Tenho certeza, por leituras posteriores, de que deixei de apreciar muitas teorias no livro na avidez de descobrir como o mistério se resolveria (ei, eu tinha 13 anos!!). Asimov aliás, foi mestre em mexer com o gênero policial e mesclá-la com FC, destaco duas obras 'Mistérios', uma coletânea de contos do autor, muitos carregados de ironia, e 'Fundação' que, além de conter valiosas lições de política e sociologia, ainda brinca com enigmas.
De todo modo, foi Asimov quem me fez buscar outros autores de FC. Confesso que quase não li sua contraparte - Arthur C.. Clarke - pois o achei demasiadamente científico e descritivo. Apreciei muito mais a ironia de L. Sprague deCamp (do qual não encontrei muito mis do que uns poucos contos na saudosa Biblioteca Pública do PR), mas foi Bradbury quem me cativou.
O 1º conto que li de Bradbury, do qual não me recordo o nome, estava numa coletânmea de FC mas não era nada científico. Ao revés, era extremamente poético. Esse estranhamento que me causou fez com que buscasse mais coisas dele.
E foi mais estranhamento que encontrei ao ler 'As Crônicas de Marte'. O elemento científico estava claramente presente, mas os princípios de ciência expressos num conto divergiam dos utilizados em outro. Ainda assim as 'crônicas' se entrelaçavam pela passagem do tempo. Confesso que não gostei do livro numa primeira leitura, faltava a explicação de muitos porquês (por que os marcianos tinham formas diferentes em cada conto? por que alguém construíria uma barraca de cachorro-quente em marte? por que os negros iriam debandar para o planeta vermelho?...). Mesmo sem saber porquê, terminei o livro. É que o humor, o lirismo e a esperança na redenção da humanidade de Bradbury me conquistaram. A FC era um instrumento para ele falar da condição humana, da luta do ser humano em entender e conviver com outro ser diferente dele (ainda que esse outro ser apenas seja, no fim das contas, um ser humano!).
Por isso segui lendo outros livros de Bradbury que não eram FC - 'O país de Outubro', 'Uma estranha família' - e gostando cada vez mais da narrativa e do uso dos rejeitados como protagonistas.
Mas nada me preparou para a melhor obra dele, e a melhor obra de FC na minha opinião: 'Fahrenheit 451'. Sim, afinal chegamos à análise do livro!
A obra segue a mesma linha de extrapolar certos aspectos de presente com o intuito de denunciar o absurdo em que vivemos, no mesmo estilo de 'Laranja Mecânica', '1984' e 'Adnirável Mundo Novo'. Como neste último o contato com um 'estrangeiro', alguém 'esquisito', alguém 'de fora' dos padrões da sociedade, vai desencadear mudanças e reflexões no protagonista.
Mas o livro de Bradbury é especial por sempre ser lírico, mesmo nos momentos de maiores desespero o autor joga com o fiapo da expectativa de que as coias vão melhorar. nem por isso deixamos de perceber a angústia e a sensação de deslocamento do protagonista.
Mais que isso, Bradbury sabe transformar todas as suposições do protagonista em paranóias inevitáveis (e você, como leitor, segue com a sensação de que os delírios estão corretos!). Acima de tudo, como todos meus autores preferidos, Bradbury sabe explicitar o absurdo que tomamos por realidade.
Por exemplo, quando o chefe dos bombeiros explica como a sociedade chegou ao grau de considerar os livros artefatos hediondos, é inevitável a comparação com a nossa situação presente. Sim, é bem verdade que os livro existem e infestam as prateleiras. Mas que tipo de leituras nós temos? Propaga-se a idéia de que ler é bom, mas nunca se discute a qualidade do que se lê. O livro virou moda, adentrou à indústria cultural, são como os filmes de verão. Leituras viraram entretenimento porque a concepção de cultura restringiu-se a entretenimento. Leitura, como toda forma de arte perene, serve para buscar as angústias. Mas não é isso que a sociedade quer não é mesmo? Angústias geram reflexões, reflexões levam a desejo de mudanças. É melhor que todos se iludam com felicidades instantâneas e esqueçam esse ideal de querer mudar, é melhor não dar tempo pras pessoas pensarem quão insatisfeitas elas são. Comam muito, bebam regiamente, façam ou comprem sexo, vejam explosões e beijos na tela, ouçam batidas fortes e homogêneas no rádio ou leiam manuais de auto-ajuda mas, acima de tudo, não se perguntem "pra que serve a vida?"; ela serve pra se divertir e tudo que não for divertido nós transformaremos em diversão.
E é esse tipo de 'filosofia de vida' que gera queda das torres gêmeas. Quando, deliberadamente, embotamos nossa capacidade de raciocínio é preciso mais do que um amanhecer pra nos depertar, é preciso um choque. Como se olhássemos pro nosso quintal limpo e daí concluíssemos que toda a cidade vai bem. Mais que isso, como se fechássemos os olhos toda vez que saíssemos de casa pra não ter que ver a sujeira. Como acabar com a ilusão? É preciso que a sujeira invada nosso quintal e em 'Fahrenheit 451' - como em 11 de setembro - é exatamente o que acontece. No livro, os EUA se envolvem numa guerra além fronteiras, as pessoas só ouvem falar a respeito através de notícias transmitidas pela tevê oficial. Quando a guerra atinge o país diretamente, as pessoas estão acostumadas demais com a idéia de que são inatingíveis pra saírem de suas casas sendo bombardeadas. Mas não Montag, ele aprendeu a sentir medo, ele voltou a viver, ele retornou seus instintos de sobrevivencia e aos poucos se recoloca no mundo. Sempre que penso em Montag fico pensando quantas vezes ao dia não escolho me desligar do mundo para não ser atingido por ele. Entre tantas outras coisas, o livro me serve com uma âncora moral, um aviso de que se você não encara o mundo, logo o mundo também não encara mais você.
A despeito da atualidade do tema central há outros detalhes que dão sabor à obra. Por exemplo, o protagonista é um bombeiro , em inglês um 'fireman', um 'homem do fogo'. Bradbury manhosamente brinca com o significado dessa palavra. Se hoje um 'homem do fogo' é quem combate o fogo, no futuro previsto eles o causam. Não há mais necessidade de combater incêndios, tudo é feito de material não-inflamável nas cidades. O trabalho dos bombeiros é queimar livros quando descobertos. É o primeiro estranhamento que a obra nos traz, a primeira cena é um bombeiro queimando uma casa. E essa subversão é proposital, Bradbury faz questão de que nos sintamos deslocados, da mesma forma que Montag vai se sentir no decorrer do romance.
Se a função dos bombeiros muda, o símbolo por eles utilizados também muda. A corporação tem como efígie a fênix e a salamandra. A salamandra é elemental do fogo para os alquimistas, nasce do fogo e se alimenta dele. É o fogo primordial, aquele que destrói tudo em seu caminho de purificação até não restarem mais do que cinzas. A Fênix é oestágio seguinte, das sobras do fogo em que se consome, ela renasce, como algo novo ela renasce, perpetua-se porque muda de situação. Montag passa da condição de salamandra à fênix na sua jornada. Ele só é capaz de renascer na medida em que seu passado é destruído, seus laços com o raciocínio embotado e com a alienação frenética e deliberada se rompem, em alguns casos por circunstâncias alheias à sua vontade mas, acima de tudo, porque ele é incapaz de voltar à situação anterior.
Creio que isso é que é viver, aprender ser incapaz de voltar a um estado anterior (lembrando que o 'estado anterior' primordial é o útero); se desapegar dos laços que nos prendem apenas para criar novos laços; isso é evoluir. Destruir para reconstruir. Rabiscar textos para escrever outros melhores. Tentar e tentar e tentar! Ou, no dizer mais do que sábio de Jorge Luís Borges: "Nada se constrói sobre a pedra, tudo sobre a areia. Mas é nosso dever construir como se fôra pedra a areia".
Quando tudo o que me resta é o fastio, sigo queimando meu destino.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

plantão eleições 2006

conforme prometido:







"Izio Inácio, chamado carinhosamente de Hulk por amigos e eleitores, nasceu na cidade de Jacinto Machado, em 1967.
Hulk fez a diferença por onde passou e tem feito diferença com trabalhos sociais ligados a Igreja Católica, de quem é seguidor."
(retirado do site da figura, o qual não vou divulgar pra não dar ibope pro comédia)

eu realmente preciso fazer mais algum comentário? já me surpreendi o suficiente ao descobrir que o hulk é católico!!!!

queimado




eu tinha feito uma mega análise sobre ray bradbury e o que considero sua obra principal, 'fahrenheit 451'.

infelizmente consegui perder tudo quando estava a ponto de salvar as alterações, culpa de uma escorregada de dedos na tecla do computador!

vou deixá-los antes que eu parta essa porcaria em 500 milhões de pedaços!!!


ps: e eu gostei tanto do post que sei que vou acabar reescrevendo-o muito embora, inevitavelmente, vá ficar diferente.
mais que isso, estou doido pra rescrevê-lo, só que, como estou ardendo de raiva e frustração, fica como uma promessa futura.

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

cotidiano

quando se tem um blógue tu passa, na maior parte dos teus momentos de interesse, pensando o que vai publicar nele. e isso se transforma num exercício obsessivo de observação. se tu der sorte e conseguir controlar, vira apenas um hábito salutar.
mas há que se exercer certa crítica.
não dá pra ficar na superficialidade se teu blógue for sore um assunto específico (esportes, política, cinema etc.). e nem pense em sair publicnado qualquer coisa que der na telha num blógue mais confessional (até dá, mas tu corre o risco cada vez maior de se arrrepender depois que for tarde demais pra deletar a informação vexaminosa).
pois bem, ditto tudo isso, fiz um check-up do dia de ontem e 3 assuntos me ocorreram:

1. natação.
depois de muito tempo reiniciei a natação. uma série de imprevistos e desencontros me impedira de começar ontem. admito, muitos dos problemas derivaram da minha preguiça, mas outros tantos foram externos e não cabe aqui enumerá-los sob pena de cansar - desnecessariamente - o leitor.
o importante é ter recomeçado. antes eu até tentara fazer musculação, era té mais prático, já que tem uma academia do lado de casa. mas não deu certo. coisas que me incomodam numa academia: aqueles inúmeros espelhos em que todos vigiando o vizinho; as pessoas que em geral vão a uma academia; aquela exposição da academia para a rua (pagamos pra pagar mico pros transeuntes); as pessoas da academia; a música horrível que toca (quem foi o gênio que instituiu que poperô dá ânimo pra malhar? a mim só causa asco!); as pessoas; o clima afobado , a pressão nas articulações e o suor; as pessoas...
andva a já há anos afastado da natação. cair na piscina na casa de amigos me fez lembrar o quanto eu sentia falta dela. vejam bem, nunca fuium esportista, nunca tive grande coordenação motora e, até o final da adolescência, me incomodava com a galhofa dos proto-atletas que há em toda escola. a ausência desses empecilhos caiu como uma luva pra mim. foi o primeiro esporte que quis praticar na vida (o outro foi capoeira, mas isso é outra história). na piscina ninguém ficava me olhando enquanto estava debaixo d'água, eu não ouvia os risos de ninguém enquanto nadava, nem as broncas, ninguém dependia de mim,eu não dependia dos outros e, acima de tudo, ninguém me enchia o saco, nem o professor (e eu sabia como evitar qualquer crítica, isso porque a minha enorme autocrítica me bastava), essa privacidade sempre foi o fator mais importante.
é preciso admitir, sou um ser de água-doce. o mar nunca me atraiu, eu o acho pegajoso e aquela sensação de sal secando sob o sol escaldante (sacram a aliteração?!) não tinha como me desagradar mais. e mesmo assim a o desconforto piorava com a areia grudando no corpo (e por dentro da sunga, argh!).
agora, quando se trata de piscina, lago, chuva ou rio a coisa muda de figura. poso ficar horas na água. acho que foi essa uma das grandes vantagens dos tais lençóis maranhenses, a água doce.
daí o motivo da minha felicidade ao nadar ontem. dizem que as pessoas produzem feromônios ao se exercitarem. não sei dizer se isso é verdade (acho que a maioria das pessoas que diz isso também não sabe se é verdade, apenas acredita em algo que leu em um lugar qualquer). mesmo assim eu saí da piscina revigorado. já nadei melhor do que ontem, o corpo ainda sentia os anos longe da água e ficava meio bambo nos movimentos. mesmo assim o corpo não reclamou de cansaço e nadou direitinho. fiquei impressionado comigo meso (daí talvez a satisfação), impressionado em como começara bem, cumpri o objetivo que tinha me proposto para o primeiro dia de retorno às atividades físicas. eis outra coisa que me satisfaz na natação, eu consigo visualizar meus objetivos muito mais facilmente, sempre em busca da borda da piscina, sepre procurando corrigir o movimento (e corrigir, nesse caso, é deixá-lo mais natural é - paradoxalmente - colocar a cabeça de lado e deixar que o corpo siga seu caminho), empre tentando completar mais 100 metros, sempre atrás de uma marca melhor, e sempre atras dos meus limites, danem-se os limites dos outros.
o céu não é o limite, a água é que é sem limites.

2. voz do brasil.

e não é que meu padrast tinha razão?! a voz do brasil é, além de útil, necessária. lógico, é a notícia contada pelo lado do giverno. mas em que difere essa parcialidade da parcialidade de qualquer emissora. pelo menos quando o sujeito escuta a voz do brasil ele sabe que é a versão do governor e pode ouvir as notícias com o devido filtro crítico armado.
há ´na voz do brasil notícias que nenhum jornal daria destaque, seja porque não são bombásticas demais, não contém escândalo suficientes ou porque são quase banais (informações de algum projeto implementado pelo governo). e não há como - nem deve haver, ressalte-se - maneira de obrigar as tevês a noticiarem o que é passado na voz do brasil. talvez desse pra fazer programas oficiais na emissoras educativas, mas não mais do que isso.
interessante é que no rádio se condensam as principais informações dos 3 poderes. e isso é um baita serviço à população. quem não quiser ouvir que desligue o rádio. bom, na verdade eu creio que fosse possível retirar certa obrigatoriedade da voz do brasil, mas não impedir a existência dela. as rádios, a meu ver, poderiam ter a liberdade de escolher qual o melhor horário pra passar o programa. agora, esse poder de escolha teria que ser relativizado. não adianta ter rádio passando a voz do brasil às 3 da matina e argumentar que ouve quem quer. que seja num horário razoável para o ouvinte em geral, algo entre 18 e 22 horas, por exemplo. e que fosse obrigatório pela rádio o horário em que a rádio exibiria o programa. dessaforma se dá ao ouvinte a opção de prestigiar a voz do brasil ou migrar pra outra rádio.
acho que dessas idéias aqui postas até que pode sair um projetinho bem razoável. aliás, essa idéia não é nem original, mas será que algum dos nossos digníssimos representantes já tentou pô-lo em prática?

3. detonautas
a rádio universitária ontem, num programa chamado 'música nova' tocou o novo trabalho desa banda.
pô, quando ouvi o nome do programa pensei logo num bando de bandas (qula será o coletivo de bandas?) obscuras ou independentes que poderiam ser apresentadas ao público. e nunca uma banda que já tocou "ao vivo" (aspas mais do que necessárias) na "malhação" (aspas desnecessárias).
mesmo assim, eu tentei dar uma chance a eles. e antes que o diogo mineiro venha me tirar um sarro eu tenho que dizer que a culpa por essa inusitada tolerância é da mídia. sim, dela mesma? foi ela quem escreveu uma série de críticas louvando a melhora do bando, dizendo que eles não erma mais pops-hardcore-melódico, que até puxavam pro rock progressivo nuam faixa de 18 minutos, que percebia-se a mão do produtor edu k (do De Falla) e mais um monte de elogios improváveis em sites variados (alguns deles até conceituados, diferente do sandro borbas - que não gosta de detonautas - mas é um sem-conceito porque gosta de engenheiros do hawaii).
resumod a ópera: não aguentei ouvir 3 músicas. também com versos como "meus olhos grandes de medo revelam a solução" e "você dormiu sem me dizer as coisas boas do seu dia / e eu saí sem te contar o que importa nessa vida" ate´que eu aguentei muito.
bom, mas oq eu dava pra esperar desse bons jovis do nacionais? não dá pra suportar tanta pretensão poética, ainda mais quando travestida de batida hardcore. se bem que no fim das contas eles até que seguem uam tradição bem tupiniquim, mas não a tradição que eles acham seguir. eles nada mais são do que o rpm da nova geração. o rpm, aliás, era um roupa nova com verniz de ira (e nem falo do bom ira, pode até sr o ira mediano do acústico mtv!).

e mais não digo porque já parei de ouvi-los, cansei de reclamar e estou satisfeito que quinta feira tem mais natação!!!!

terça-feira, 15 de agosto de 2006

começou

e hoje oficialmente inaugura-se o mais insuperável programa de humor da televisão brasileira, sobretudo pra quem tem algum senso de humor transitando entre nelson rodrigues e machado de assis: o horário eleitoral gratuito!!!

pânico, casseta e planeta, a grande família ou qualquer série de tv a cabo à sua escolha...não tem pra ninguém. a dúvida que me resta esse ano é: quem será o campeão? e não me refiro ao campeão do pleito, mas quem será o comediante-mor? melhor separar em duas categorias: presidentes e governadores de um lado; deputados e senadores do outro.

do lado dos presidentes e governadores vemos como eles são todos preocupados com o povo, com a questão social, como tiveram origens pobres (e não as renegaram, oh não! nunca!) e como lutaram pra 'chegar lá' (e eles nunca dizem onde é lá, fica a critério do leitor). um bando de salvadores, seja pelo caminho da 'paz e do amor', seja pela via 'raivosa'. entre as várias escolhas, parecem todos aqueles mesmo figurantes do zorra total, cada um tem um bordão e um 'jeitão próprio', mas no fundo não passam de figurantes com uma deixa minúscula na mesma enquete e, não fosse por esse bordão, o público os esqueceria assim que desligasse a tv (e, de fato, muitos o esquecem, colocado-os todos no memso compartimento mental da mediocridade).

já do lado dos deputados e senadores temos a cereja do bolo. se tivesse que votar num bolão, colocaria minhas fichas nesse setor pra eleger o rei do picadeiro. claro, aqui os candidatos são todos regionais, assim, pode-se dizer que cada localidade tem seus palhaços particulares. mas como são todos príncipes não é mesmo?! como são envolventes seus slogans que devem ter sido elaborados numa reunião da equipe de marketing (membros da equipe: o candidato, o vizinho, o cunhado que fez um 'curso de gerenciamento e vendas com o lair ribeiro', uma estagiária que finge anotar as idéias, a mulher que não tira os olhos da estagiária, e o pai do candidato pra ver se o filho está agindo direitinho). e como são todos hinestos. estou supreso com as declarações desses progaramas. se o candidato já esteve em agum mandato, nunca participou de nenhum esquema de corrupção, sempre zelou pelo erário público. agora, se o cadidato nunca esteve em cargos eletivos, ele tem um passado aberto e respeitável, mais que isso, inquestionável.

agora o país vai pra ferente! com candidatos como esses não modo da propina prosperar!!! aliás, ouso especular mais, creio até que há um alarmismo da mídia - e do ministério público, e da polícia federal - no que tange às denúncias de corrupção. se há tantos políticos honestos na tv, é impossível a ocorrência de tantos desvios de verbas.

com sorte conseguirei publicar aqui nesse blógue algumas das figurinhas que ilustram nossa programação...

conto com a colaboração de nossos estimados leitores.

até a próxima.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

sem mais comentários

sério, o ser humano cria espetáculos cada vez mais deprimentes!

e não tou falando de conflito no líbano, ataques do pcc ou horário político eleitoral.
tou falando disso:

http://www.youtube.com/watch?v=4kXXdm-6xrQ

pior de tudo, pra horror de uma das minhas melhores amiga, quiçá a melhor delas,dêem uma olhada no site oficila da pobre subexplorada:

http://www.anacarolinadias.com.br/

que tristeza hein ana?

é só por hoje.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

mais geléia


tem quem tenha pingüim de geladeira. eu tenho um mickey de geladeira. alías, enquanto eu monto a casa a gealadeira é um dos poucos locais em que posso colocar algo em cima. os outros espaços são as pias, da cozinha e do banheiro, o topo do guarda-roupa, o balcão da cozinha americana e os abtentes de algumas janelas. cara eu preciso urgente de uma estante/cômoda/criado-mudo!!!

enfim, além de alguns utilitários, coloquei o mickey- feiticeiro - aquele vestido com a roupa do filme 'fantasia' - em cima da geladeira. é um mickey pequeno, de plástico duro, presente de quando o giovanni voltou da viagem à disney. desconfio que nunca irei à disney, mas nem tenho interesse. já o giovanni, encarna o melhor do espírito-disney, com o diferencial de ter uma alegria nada fantasiosa, mas sim uma alegria resistente, que vigora apesar das adversidades.

(é engraçado como pequenas coisas, como um mickey de plástico de 5 cm de altura, remetem a coisas tão antigas quanto uma amizade que começou no cursinho)

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amar é lembrar de imagens que nos elevam. ou melhor, é se elevar apenas com lembranças.
é pensar no objeto amado e se sentir maior que a vida por isso.
amar é a imagem que tenho de tua beleza mas, mais que isso, é a imagem da tua tristeza.

amar é tua presença dormindo a meu lado.
amar é você, marcada na memória, me dando sentido.

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quer encontrar hotéis em fortaleza? procure na lista telefônica de são luís!!

são luís é o único caso que conheço em que uma lista telefônica da cidade faz propaganda de hotéis de outros estado. mais que isso, há hotéis bons - nível 5 estrelas - que tu simplesmente não encontra na lista.
ainda não entendo esse povo, sou, definitivamente, um estrangeiro por aqui.

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coisas da internet.

aqui na cidade tem uma agência de viagens que se chama "Babaçú Turismo". até aí, nada demais, o nome remete a um produto típico da região. diga-se, eu acho um nome bem legal, sonoro mesmo.
o problema veio com o advento da internet. a agência não podia ficar atrás dos concorrentes, tinha que se adaptar aos novos tempos, senão iria fechar, já precaviam todos os 'manuais do empresário de sucesso' e consultorias afins. eis que a agência resolve montar um site. mas a linguagem de internet não aceita acentos nem nosssa peculiar cedilha, de modo que, na vitrine da agência, estampado em letras garrafais, vemos o seguinte cacófato:

www.babacuturismo.com.br

taí uma viagem inesquecível.

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dia desses tava ouvindo MTV de madrugada - o melhor horário da emissora, quando eles resolvem passar vídeoclipes ao invés de notícias descoladas ou programinhas 'radicais' - e me deparei com uma banda desconhecida.
sempre é legal conhecer um grupo novo, ainda mais quando a música agrada.

e foi o caso de 'wolfmother'.

é engraçado como, nesses tempos em que a música já vem colada com a imagem, como uma banda pode surprender justamente por ir contra o estereótipo esperado. sim, pois nos nossos dias 'emos' não basta gostar de um música xis, tem que se vestir de acordo, agir de acordo e todo o pacote completo.

'wolfmother' fez o oposto, é um power trio que se veste como um grupo indie qualquer, ao estilo consagrado pelo weezer. mas quando o som bate tu percebe que o tom do vocal lembra aqueles agudos de heavy-metal (mas não tão exagerado e sem afetação) e a linha de baixo parece mais um blues-rock, com uma batida em bandas de rock setentista, estilo 'jefferson airplane' ou um 'credence' mais raivoso.

se fossem uns caras com cabees e calças de couro provavelmente mudaria de canal. besteira minha, eu sei. felizmente, graças ao inusitado, acabei descobrindo mais uma boa banda pra procurar na internet.

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"É da natureza humana dramatizar. Transformamos o geral ou o banal no específico e objetivo, ou seja, em parte de um universo que nossa própria formulação proclama como compreensível. Trata-se aí de boa dramaturgia.
"A má dramaturgia pode ser encontrada nos discursos de políticos que têm entre nada e quase nada a dizer. Eles invertem o processo e falam, ao contrário, do subjetivo e do nebuloso: falam do futuro. Falam do amanhã, falam do estilo americano, da nossa missão, do progresso, das mudanças. São expressões que não tem relação com problemas reais e são inseridas como enfeites modulares numa história desprovida de conteúdo."
(David Mamet in '3 usos da faca', 1993)
(alguém lembrou do jornal nacional dessa semana?)

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há frases que começam como ganchos; frases de efeito e frases que não parecem ter efeito imediato; frases perfeitas para finais; frases de puro nervosismo e que, por sua incoerência, traduzem momentos e sensações; e há frases que parecem perfeitas até o momento em que tentamos encaixá-las num contexto e eleas mostram sua natureza de pirita.
de todo modo, não sei se escrevo por vaidade ou por fuga. creio que é um pouco dos dois. nesse mundo de ficção que vou criando, tudo pode ser perfeito. ou não. é a minha decisão.
os escritores de ficção dizem que o controle da obra é uma ilusão. e é verdade. esse texto já é bem diferente do que tinha esboçado na cabeça. mas tenho que acreditar, ao menos no início de uma história, que tenho o controle, que mando nesse mundo. e a história, por cerca de 5 linhas, me deixa ter essa ilusão....

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

definitivamente temporário

"esquecer é uma benção" já dizia borges - o jorge luís, não o guilherme roman - confesso que demorei a entender o significado disso. não via muita utilidade nisso às vésperas de uma prova ou quando era surpreendido pelo aniversário de alguém próximo.

depois que li 'funes, o memorioso' é que a citação começou a fazer sentido (conheci a citação antes do conto). afinal, já imaginou não conseguir esquecer NADA do que você fez no dia? e convenhamos, há dias que é preferível serem completamente apagados. já pensou lembrar o que cada pessoa te disse no trabalho, tudo que leu na internet.... haja bobagem pra ser lembrada! numa situação dessas, como no conto em questão, ou tu esquece ou vira esquizofrênico.
bem verdade que temos os lados negativos (muito mais negativo que o branco na hora do vestibular diga-se) como por exemplo, quando o corpo vai progressivamente esquecendo algo que a mente insiste em agarrar com as últimas forças. não ficou claro? lembre daquela garota linda que tu beijaste mês passado, e pense que ela viajou e que nunca mais vais vê-la....tu ainda recorda dos beijos, dos momentos juntos, mas a boca vai aos poucos perdendo o gosto dela, a cada refeição, a cada escovada nos dentes, a cada gole d'água....

tudo isso só pra contar que já nem lembro direito de 2 semanas atrás, quando a pensão em que morava mudou-se prum local que não me interessava e me vi sem chão, literalmente. não havia achado apartamento e todos os locais provisórios que me apareciam estavam acima das minhas possibilidades financeiras (ou, ao menos, acima do que eu esperava pagar por um local provisório). a sensação foi horrível, lembro que estava desnorteado! e, ainda bem, isso é quase tudo de que me lembro.
amigos vieram me salvar e fiquei hospedado no apê deles sem nenhuma pressão pra ir embor e com café feito ao acordar. obrigado hulda e itamar!!
mas, apesar das mordomias, mesmo chegando do trabalho e tendo com quem conversar, nada supera ter um local próprio. é duro montar uma casa, eu já sabia disso, já sabia que temmilhões de pequenas coisas que você nem se dá conta de que precisa, até estar numa casa em que essas coisas não existem! por enquanto, o que mais sinto falta são estantes, cômodas, criados-mudos ou qualquer coisa que sirva pra empilhar meus trecos. eu adoro ter um local pra deixar cada uma das minhas coisas, não de maneira ordenada,mas de modo que eu saiba onde cada coisa encontrar o que preciso.
estou me concentrando nos empecilhos, mas ando mesmo é curtindo o lado bom de morar sozinho, ainda não me acostumei com a idéia de que posso usar o banheiro de porta aberta, que posso andar pelado pela casa, ouvir música a qualquer horário entre outras descobertas! por enquanto estou curtindo brincar de casinha.

posso dizer, depois de 4 meses no maranhão, que finalmente me estabeleci. não tem mais jeito, o contrato de locação de 1 ano já foi assinado.
claro que, quando eu tiver cacife eu me mudo pra recife, ehehehhehehh

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

isso não, muito pelo contrário.

é de se estranhar não é mesmo?!

agosto em são luís é o período de começo da estiagem. quando as chuvas vão baixando consideravelmente até meados de dezembro e janeiro quando, dizem, não chove nada, ou quase nada. em julho tivemos uma prévia disso, algumas semanas com pouca ou nenhuma chuva.

em contrapartida gotham city - comumente conhecida como curitiba - não padece desse mal. difícil lembrar de períodos de seca em qualquer época do ano.

bom, parece que as coisas se inverteram, aqui é o segundo dia de chuva seguido. e quando digo chuva falo chuva mesmo!!! (com três exclamações pra deixar bem trovejante). daquele estilo forte e tropical e duradouro e cheio de relâmpagos e que alaga ruas e até dá uma leve amenizada na temperatura (mas não chega a ser frio, nem mesmo pros padrões daqui).

em contrapartida - mais uma vez - o sul sofre com a seca. tenho amigos que não sabem como irão tomar banho esse final de semana por conta de racionamento de água. isso logo em gotham city?! (eu nunca entendi direito como usar ponto de interrogação seguido de exclamação, como isso deve soar? mesmo assim eu gosto de usá-lo, aparenta grande senso de drama).

verdade seja dita, gotham podia deveria ter imaginado que, mais dia menos dia, a coleira ia apertar.eu mesmo quando morava lá já ouvia informes até no tacanho jornal estadual acerca de períodos em que o nível de abastecimento da água caí drasticamente. bastou um período com menor indíce pluviométrico que o usual pra situação ficar calamitosa. mais um ponto a menos pra nosso combalido setor público.

agora não faltam explicações pra essa inversão de padrões climáticos. já tivemos 'el nino', resquícios de 'el nino', 'la nina', prolongamento de 'la nina'... os metereologistas sempre surgem com uma 'explicação sensata e racional' pra evidência de que a presença humana maciça e maçante sobre o globo tá afetando todo tipo de equilíbtrio. daqui a pouco inventam 'el abuelo' 'el padre' e quetais ('la madre' nunca, eles não iam se arriscar a meter a mãe na história).

de todo modo, como na modernidade todo mundo tem explicação pra tudo (na pós-modernidade é diferente todo mundo faz questão de não ter explicação) eu também tenho a minha e é bem simples: gotham city sente saudades de mim!! como ela não pode me ter de volta vem me buscar, tenta fazer com que eu sinta saudades dela com dias nublados, chuvas e ventos. claro que até o pdoeer dela tem limites e ela não consegue criar neblina, nem frio cortante, mas dê a ela mais uns 500 anos pra começar a afetar a temperatura. se gotham não conseguir em trazer de volta ao menos terá criado uma filial aqui no maranhão.

por enquanto permaneço irredutível. e gotham sabe disso sabe que por enquanto a rima que me domina é outra: 'quando eu tiver cacife vou-me embora pra recife'.

e vou-me embora desse blógue.
até breve.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

a vida (agora com trilha sonora)


voltei.
depois de uma vontade de ficar calado. voltei.
acordei hoje com mais do que vonatde de escrever alguma coisa.
sim, pois algo a dizer eu tenho, me faltava mais do que apenas vontade, me faltava paciência pra ordenar as frases. não tinha paciência nem pra tentar.

mas enfim, depois de algumas noites plenas de sonhos a vontade se aliou à paciência, ainda que de maneira ínfima e aqui estamos!!!!

entre as muitas novidades só vou citar uma: comprei um mp3 player. dicas de onde baixar música são mais do que bem vinda. só ressalto que muito sites aqui no INCRA são bloqueados.

mesmo assim, com ajuda de amigos já consegui algumas faixas. e, deus, como eu sentia falta de ficar escutando música a todo momento. nada como colocar um fone de ouvido e de repente o mundo adquire outra trilha sonora: a minha trilha sonora!!
tá, eu admito, antes que psicólogos de plantão venham me analisar: eu tenho um desejo imenso de controle! quero mais é que o mundo gire conforme meu humor. como isso não pode acontecer eu me contento com ccertas ilusões. me contento em escrever um mundo em que as regras seguem meus desmandos, me contento em ouvir apenas os barulhos que baixei no meu mp3, me contento em imaginar como seriam conversas futuras e cantandas perfeitas.

é bem verdade que até mesmo essas ilusões de controle são esguias e riem da minha cara. nunca tenho controle sobre o que escrevo, sempre que tento acabo por mutilar a escrita. e a trilha sonora nunca corresponde à realidade que me cerca. mas e daí? eu finjo que é, e pronto! e quem pode dizer onde começa a verdadeira ilusão?!

você pode?


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viram só, nem um pouco de mal-humor nesse post! só assim pra não me compararem com o chato do diogo mainard
(se bem que o postt foi incoerente, mas se eu sou cônscio de minha incoerência o mainard sofre de "ilusão de coerência").

e por hoje é isso. até a próxima!!!