caros 6 leitores,
sei que tenho sido relapso. quase não atualizo esse espaço, tampouco tenho acompanhado meus conhecidos amigos blogueiros relacionados ali do lado direito.
mas tudo isso vai mudar.
agora, além de internet em casa, estou mudando de locatário. vou sair desse bairro multifacetado que é o blogspot e vou prum condomínio fechado, um local onde estou cheio de conhecidos (nenhum amigo, é verdade, mas todos muito acolhedores, como vocês poderão perceber).
a partir de agora vocês me encontram no http://chuva.tipos.com.br
espero que o novo endereço não culmine com o fim de suas visitas. passem lá na minha nova casa, é pertinho, e tá sempre aberta prum cateretê.
ah, outro detalhe, nesse novo ambiente sou conhecido por groucho. mas vocês podem continuar me chamando pelo meu nome de batismo mesmo, convivo tão bem comigo mesmo que posso perfeitamente resolver esse caso de dupla identidade.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
cacos do interior do maranhão
um post fragmentado, pra consagrar uma série de viagens fracionadas:
crianças brincando de pique-cola na praça de nova olinda do maranhão:
_ tá com o miguelzinho.
_ como é que faz pra descolá?
_ tem que passar por baixo das pernas – diz um dos meninos.
_ ah, não! assim não vale, é muito imoral!! – ralha a mais nova, em seu vestido de chita.
***
era uma macaco-prego, quitéria, mais conhecida como kika. o caminhoneiro a deixou ainda novinha, recém-apartada da falecida mãe, para a dona do restaurante cuidar. ele nunca mais deu as caras. melhor pra kika, que se afeiçoara à nova dona, se agarrava à ela e gritava toda vez que esta saía.
passava o dia na janela, presa numa corda e mexendo com todos que passavam. uns clientes metiam balas nos bolsos e foi assim que a macaca aprendeu a remexer em bolsos. kika tinha fascinação por óculos e chaveiros. mas tudo que quebrava tinha dois destinos: mordia ou batia no batente até quebrar.
carente que só ela, começava ser agarrando no braço de quem quer que lhe desse atenção. depois, sentia-se à vontade para mexer nos bolsos e cabelos do incauto. morria de medo da bocarra dos cachorros, subia o mais alto que a corda lhe permitia e ficava vigiando, até eles se afastarem.
--
chico era o bêbado ilustre da região. bem verdade que costumava passar meses sem beber, mas quando o fazia não havia quem no povoado não soubesse. ele anunciava alto pelas estradas de poeira sua enrolada língua, que só seu cachorro, fiel acompanhante, parecia entender.
e foi num desses dias em que a sobriedade há muito lhe abandonara que ele viu kika.
o temor de kika ao cachorro branco de chico não foi maior que sua carência. grudou as mãos finas no braço do bêbado. este, por sua vez, agarrou kika pelo tronco, imobilizando-lhe os braços. sem perceber que a machucava, começou a falar com a macaca, que, incapaz de se livrar, gritava com voz sumida.
foi quando a dona chegou com a vassoura: ‘larga de mão, seu traste!’. com a b bordoada chico tomou seu rumo pela estrada, mais cambaleando que correndo. mas logo se recompô e, virnado-se para seu cão, falou todo gaiteiro:
_ e tu achava que eu não valia nada!
***
_ por que o nome do povoado é chega-tudo?
_ é que aqui o acesso é tão difícil que chega tudo.
_ não entendi.
_ chega tudo qu de ruim que quer fugir da cidade.
***
_ a cartilha é o livro mais difícil que tem, porque o nego entra nela sem saber nada do que ta lá dentro. (seu zé lima, assentado).
***
“eu é que não vôo de avião. primeiro porque a gravidade fica chamando o que tá no alto pra baixo. depois porque o avião é feito de ferro, e o ferro é tirado da terra. assim, o desejo do ferro é voltar pra terra e fica puxando o avião pra baixo”. (seu antônio, assentado em pedreira II)
***
poesia de estrada
não corra
não mate
não morra
(placa de rodovia federal)
***
“mulher feia e jumento, só quem gosta é o dono” (um transeunte, gritando ao amigo na praça de santa luzia do paruá)
***
sinceramente, vocês não acham bem mais difícil falar ‘droba’ ao invés de ‘dobra? eu acho. só que, mesmo sendo mais complicado, é assim que 98% dos centos dos assentados falam.
***
dirigir com sono é namorar com a morte (propaganda de colchão nas rodovias do maranhão)
***
‘favor não andar de toalha no corredor’ (placa no hall de entrada do hotel em que me hospedo em santa luzia do paruá).
***
e pra finalizar uma inusitada surpresa.
estava eu num daqueles botecos bem pé sujo do interior, daqueles sem muitas opções, quando vejo um cartaz com bohemia a 1,99!!! aais barato que kaiser!
ao que parece, aqui no nordeste eles nem conhecem muito essa cerveja. como não se preocupam em pedir ela acaba sobrando, e aí, o preço despenca.
pelo menos em lgum aspecto vocês vão ter que ter inveja de mim. hehehe
crianças brincando de pique-cola na praça de nova olinda do maranhão:
_ tá com o miguelzinho.
_ como é que faz pra descolá?
_ tem que passar por baixo das pernas – diz um dos meninos.
_ ah, não! assim não vale, é muito imoral!! – ralha a mais nova, em seu vestido de chita.
***
era uma macaco-prego, quitéria, mais conhecida como kika. o caminhoneiro a deixou ainda novinha, recém-apartada da falecida mãe, para a dona do restaurante cuidar. ele nunca mais deu as caras. melhor pra kika, que se afeiçoara à nova dona, se agarrava à ela e gritava toda vez que esta saía.
passava o dia na janela, presa numa corda e mexendo com todos que passavam. uns clientes metiam balas nos bolsos e foi assim que a macaca aprendeu a remexer em bolsos. kika tinha fascinação por óculos e chaveiros. mas tudo que quebrava tinha dois destinos: mordia ou batia no batente até quebrar.
carente que só ela, começava ser agarrando no braço de quem quer que lhe desse atenção. depois, sentia-se à vontade para mexer nos bolsos e cabelos do incauto. morria de medo da bocarra dos cachorros, subia o mais alto que a corda lhe permitia e ficava vigiando, até eles se afastarem.
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chico era o bêbado ilustre da região. bem verdade que costumava passar meses sem beber, mas quando o fazia não havia quem no povoado não soubesse. ele anunciava alto pelas estradas de poeira sua enrolada língua, que só seu cachorro, fiel acompanhante, parecia entender.
e foi num desses dias em que a sobriedade há muito lhe abandonara que ele viu kika.
o temor de kika ao cachorro branco de chico não foi maior que sua carência. grudou as mãos finas no braço do bêbado. este, por sua vez, agarrou kika pelo tronco, imobilizando-lhe os braços. sem perceber que a machucava, começou a falar com a macaca, que, incapaz de se livrar, gritava com voz sumida.
foi quando a dona chegou com a vassoura: ‘larga de mão, seu traste!’. com a b bordoada chico tomou seu rumo pela estrada, mais cambaleando que correndo. mas logo se recompô e, virnado-se para seu cão, falou todo gaiteiro:
_ e tu achava que eu não valia nada!
***
_ por que o nome do povoado é chega-tudo?
_ é que aqui o acesso é tão difícil que chega tudo.
_ não entendi.
_ chega tudo qu de ruim que quer fugir da cidade.
***
_ a cartilha é o livro mais difícil que tem, porque o nego entra nela sem saber nada do que ta lá dentro. (seu zé lima, assentado).
***
“eu é que não vôo de avião. primeiro porque a gravidade fica chamando o que tá no alto pra baixo. depois porque o avião é feito de ferro, e o ferro é tirado da terra. assim, o desejo do ferro é voltar pra terra e fica puxando o avião pra baixo”. (seu antônio, assentado em pedreira II)
***
poesia de estrada
não corra
não mate
não morra
(placa de rodovia federal)
***
“mulher feia e jumento, só quem gosta é o dono” (um transeunte, gritando ao amigo na praça de santa luzia do paruá)
***
sinceramente, vocês não acham bem mais difícil falar ‘droba’ ao invés de ‘dobra? eu acho. só que, mesmo sendo mais complicado, é assim que 98% dos centos dos assentados falam.
***
dirigir com sono é namorar com a morte (propaganda de colchão nas rodovias do maranhão)
***
‘favor não andar de toalha no corredor’ (placa no hall de entrada do hotel em que me hospedo em santa luzia do paruá).
***
e pra finalizar uma inusitada surpresa.
estava eu num daqueles botecos bem pé sujo do interior, daqueles sem muitas opções, quando vejo um cartaz com bohemia a 1,99!!! aais barato que kaiser!
ao que parece, aqui no nordeste eles nem conhecem muito essa cerveja. como não se preocupam em pedir ela acaba sobrando, e aí, o preço despenca.
pelo menos em lgum aspecto vocês vão ter que ter inveja de mim. hehehe
em estado terminal
assunto já meio velhoe batido, mas não posso deixar de dar um pitaco e relatar minha saudosa experiência aeroportuária-natalina.
(pausa pra tomar fôlego depois de tantos polissílabos juntos)
agora sim, segue o texto:
o inferno eu não sei, mas os aeroportos no final de ano com certeza são estágios do purgatório. depois de hoje – 22 de dezembro – tenho crédito com deus pra mais uns 150 anos de pecados. já perdi, ganhei, perdi de novo e ganhei mais uma vez meu bom humor. acho que agora entrei num estado de calma paranóica, mais ou menos como se tivesse tomado valium.
tenho motivos para tanto:
- passei a madrugada de quarta para quinta numa fila de check-in em são luís (2 horas e meia pra fazer um check-in e receber dos funcionários a clásica desculpa de ‘problemas nos computadores’);
- de são luís fui à brasília e lá passeei pelo centro, arrastando os pés por conta da noite praticamente em claro;
- às 4 da manhã entrei num check-in para um vôo das 6 (não havia funcionários nos guichês, eles só retornaram ao serviço às 4:40 e eu despachei minha bagagem às 5:55);
- trocaram meu vôo original por outro que iria direto a curitiba, mas esse só sairia às 10 manhã (vão fazendo as contas...). menos mal, assim me livrei de uma conexão em congonhas - no mínimo seriam mais 3 horas de atraso. é claro que eu novo vôo também atrasou;
- às 6 e meia vi o sol nascer no aeroporto;
- gastei uma fortuna em capuccinos de aeroporto;
- perdi a conta de quantas vezes agradeci aos céus por ter um mp3 player;
- fui entrevistado por um jornalista do correio brasiliense que, como todo jornalista, deve ter distorcido o que falei. mas eu o perdôo, deve ser um saco ter de cobrir todo dia a mesma puta, digo, pauta. pobre jornalista;
- ególatra que sou, ser entrevistado me deixou de bom humor. sobretudo quando descobri que minha foto ia ser publicada (minha foto dormindo no chão do aeroporto com o chapéu na cara, bem siesta mexicana mesmo);
- depois disso até consegui encontrar atendentes atenciosos, mas, ressalte-se, eles eram da INFRAERO, os funcionário da TAM não tem como não viverem em estresse permanente dada a constante balbúrdia que ronda seus vôos;
- pra quase finalizar, acabei saindo de brasília às 2 da tarde e perdi doze horas dormindo em curitiba logo que cheguei. leia-se: perdi uma sexta feira de provável festança em curitiba por conta de toda a maratona aeroportuária.
depois de tudo isso, é bom deus tratar de me compensar em 2007. ou, ao menos, riscar do caderninho certas atitudes minhas de 2006.
(pausa pra tomar fôlego depois de tantos polissílabos juntos)
agora sim, segue o texto:
o inferno eu não sei, mas os aeroportos no final de ano com certeza são estágios do purgatório. depois de hoje – 22 de dezembro – tenho crédito com deus pra mais uns 150 anos de pecados. já perdi, ganhei, perdi de novo e ganhei mais uma vez meu bom humor. acho que agora entrei num estado de calma paranóica, mais ou menos como se tivesse tomado valium.
tenho motivos para tanto:
- passei a madrugada de quarta para quinta numa fila de check-in em são luís (2 horas e meia pra fazer um check-in e receber dos funcionários a clásica desculpa de ‘problemas nos computadores’);
- de são luís fui à brasília e lá passeei pelo centro, arrastando os pés por conta da noite praticamente em claro;
- às 4 da manhã entrei num check-in para um vôo das 6 (não havia funcionários nos guichês, eles só retornaram ao serviço às 4:40 e eu despachei minha bagagem às 5:55);
- trocaram meu vôo original por outro que iria direto a curitiba, mas esse só sairia às 10 manhã (vão fazendo as contas...). menos mal, assim me livrei de uma conexão em congonhas - no mínimo seriam mais 3 horas de atraso. é claro que eu novo vôo também atrasou;
- às 6 e meia vi o sol nascer no aeroporto;
- gastei uma fortuna em capuccinos de aeroporto;
- perdi a conta de quantas vezes agradeci aos céus por ter um mp3 player;
- fui entrevistado por um jornalista do correio brasiliense que, como todo jornalista, deve ter distorcido o que falei. mas eu o perdôo, deve ser um saco ter de cobrir todo dia a mesma puta, digo, pauta. pobre jornalista;
- ególatra que sou, ser entrevistado me deixou de bom humor. sobretudo quando descobri que minha foto ia ser publicada (minha foto dormindo no chão do aeroporto com o chapéu na cara, bem siesta mexicana mesmo);
- depois disso até consegui encontrar atendentes atenciosos, mas, ressalte-se, eles eram da INFRAERO, os funcionário da TAM não tem como não viverem em estresse permanente dada a constante balbúrdia que ronda seus vôos;
- pra quase finalizar, acabei saindo de brasília às 2 da tarde e perdi doze horas dormindo em curitiba logo que cheguei. leia-se: perdi uma sexta feira de provável festança em curitiba por conta de toda a maratona aeroportuária.
depois de tudo isso, é bom deus tratar de me compensar em 2007. ou, ao menos, riscar do caderninho certas atitudes minhas de 2006.
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