Ontem a cidade andava, ou melhor, parava, ainda mais bagunçada. Motivo: greve de motoristas e cobradores de ônibus.
O dia começara como todos os outros, acordei e fui ao ponto. No caminho pro Incra ouvi rumores de que uma greve de ônibus já começara. Pra ser bem sincero não acreditei muito não, vi muito ônibus rodando nas ruas.
Pela noite, ao voltar pra casa, soube que o n° de coletivos diminuíra drasticamente. Cogitei a possibilidade de pegar um moto-táxi, eles são comuns aqui em são luís e mais em conta do que um táxi comum. Mesmo assim, do trabalho pra casa - do Anil ao Renascença - ficaria salgado.
Estava nessas reminiscência quando um ônibus passou. Peguei-o feliz da vida pensando: "me dei bem, nem está lotado, a greve deve ser balela". A viagem transcorreu sem incidentes até a Praça Deodoro, ao chegar nesse local o motorista foi informado que logo mais a frente estavam impedindo a passagem e furando pneus de ônibus que ainda ousavam circular. Resultado: o motorista deu ré por duas quadras, fez um contorno e tentou iniciar um outro caminho. Vale ressaltar que já erma umas 7 da noite e meu estômago reclamava da solidão, sentindo um vazio nada existencial.
A alternativa revelou-se um fracasso. Chegamos na Bandeira Tribuzzi (uma das 2 principais pontes da cidade, e, logom, um dos 2 únicos modos de atravessar o rio são francisco nesse trecho da cidade) completamente engarrafada. Pra piorar ouviam-se comentários de que os fura-pneus estavam por perto. O ônibus não podia mais seguir pela ponte, o trânsito estava impossível, de modo que ele deu uma ré, virou o ônibus na pista e ficou na contramão, tentando encontrar uma saída. Nessa hora o coletivo ficou como convocação da seleção, todo mundo tinha um palpite e uma idéia diferente. A fome, e a absoluta falta de noção de onde por onde seguir, me fizeram ficar quieto. Finalmente o motorista teve a luminosa idéia de seguir para a outra ponte – a José Sarney (nem eu nem a população gostamos do nome, tanto que todos a chamam de ponte são francisco). Para conseguir seu intento, o motorista teve que entrar na contramão de uma rua e depois subir num canteiro que divide a pista.
Próximo à são francisco também havia engarrafamento, mas ao menos o trânsito fluía vagarosamente. Preocupava o fato de o fura-pneus estarem próximos. Apreensivo, o motorista apagou as luzes internas e mandou todo mundo abaixar a cabeça. Ele queria fingir que era um ônibus voltando pra garagem. Seria exagero dizer que parecíamos um bando de refugiados tentando atravessar a fronteira (mas tenho certeza que minha mãe usaria esta imagem ao contar esse causo). De todo modo, havia uma certa tensão, volta e meia um passageiro mandava o outro se abaixar e ficar quieto. De minha parte, eu tinha mais fome que preocupação. Seria apenas um incômodo andar uns 5 km a pé, mas nada mais que isso. Claro que a fome fazia essa possibilidade ser bem mais do que um incômodo. E nesse ambiente nos aproximamos da ponte.
No fim das contas não apareceu nenhum fura-pneus e passamos a ponte tranquilamente. O motorista foi aplaudido pelos passageiros como herói, mas teve a humildade de só agradecer a deus pelo feito (mesmo assim, seu sorriso denunciava o império da falsa modéstia).
Passado o congestionamento da ponte, tudo correu bem. Somente hoje fui descobrir os motivos da greve. Quem me conhece sabe que sou, de um modo geral, favorável a greves. Mas quando soube a motivação da paralisação fiquei indignado, foi briga de chapa sindical que perdeu a eleição!! Sério, nem nos meus tempos de movimento estudantil nós fomos tão ridículos (e olha que já fizemos coisas n ada louváveis). Segue o trecho do jornal:
"A briga interna entre ex-diretores, membros de chapas impugnadas na última eleição do Sindicato dos Rodoviários de São Luís, e a atual diretoria, chegou às ruas e avenidas da cidade, pegando toda a população "de calças curtas"
O sindicato afirma que dia 16 haverá uma greve, dessa vez tendo como pauta reposição salarial. Há rumores de que o protesto será nos moldes da ‘catraca livre’.
Dia 16 eu digo pra vocês como foi. Até lá, vamos que outras ‘aventuras’ a cidade me reserva.
3 comentários:
Faaaaaaaaaaaala Mura....
como vão as coisas por aí magrão....
Tu faz falta aqui viu..., ow se faz....
um papo tranquilo, maluco, sério,desorientado e no fim bastante realista...
q falta faz!!!!
abração!!
Catraca livre?
Curti a idéia HOHOHO
DIOGO
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