quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quase 1 segundo (um pretexto para a filosofia de botequim)











Sou epiléptico.
Não é neurocisticercose o que tenho. Não é o 1º estágio larval da tênia que se calcificou e atrapalhou todo o caminho dos neurônios.

Não me o Osama nem uma segunda personalidade camuflada que ataca feito guerrilha quando estou de guarda baixa.
Não. É mais profundo que isso. É epilepsia mesmo. É meu cérebro revoltado comigo, causando pane geral quando judio do corpo, quando me estresso muito, duro pouco,.. bebo além da conta ou junto tudo num pacote bomba.

É nessas horas que meu cérebro explode. Um lado se desentende do outro. Caio, babo, convulsiono e apago qualquer memória do incidente. E depois, além da amnésia do evento, ainda fico um tempo grogue e cheio de dor (espasmos musculares podem ser mais fortes que horas de atividade física com pancadas) sobretudo n nuca e nos ombros, que costumam travar nos ataques.

Por sorte a chance de acontecer é remota, e nunca se manifestou sob efeito de medicação. Minha média tem sido 2 ataques nos últimos 8 anos.

Mas, mesmo tomando remédio e em condições normais, meu cérebro tem pequenos picos epiletiformes. Dura menos de ¼ de segundo. Não causa perda de memória nem ausência congnitiva nem nada. Mas está ali, por todo o cérebro, a indicar como meus nervos fogem de tudo quando não agüenta a realidade - e, ainda mais quando eles não agüentam mais lidar comigo mesmo.
É assim minha epg, epilepsia primária generalizada.

Com o tempo e tratamento esses picos tendem a sumir. É o que diz o médico.

Eu não tenho tanta certeza. Creio que meu cérebro sempre vai ser assim: primário e generalizado.
É vã pretensão achar que consigo ir além desse conceito
Mas não pensem que é simples ser primário e generalizado. Ou, por outra, é simp´les, mas não é fácil (já que não é fácil ser simples).

Vou seguir tentando apreender o básico do mundo e, ambiciosamente, tentando abarcar o todo de cada situação.
Vou seguir tentando ser primário e generalizado.

2 comentários:

Mauro disse...

Parabéns Murilo: conseguiu se igualar a Достоевский (ou simplesmente "Dostô", para os mais chegados). Também epiléptico, ele soube retratar como ninguém o quadro em "O Idiota" (ou a história da melhor pessoa pós J.C.). A descrição dos teus sintomas coincide com aquilo que o príncipe descreve antes dos ataques. Também é o caso do assassino de "Os Irmãos Karamázov", mas mais não te conto para não estragar (embora já o tenha feito - e não volto atrás). Em "O Jogador" quem sofre não é o personagem, mas o autor, pressionado pelos editores e sujeito aos ataques com frequencia. Em todo caso, fica a dica. A vida copia a arte e só resta a saudade das minhocas na cabeça. Abraços!

murilo disse...

uia que nem eu me imaginava tão bem acompanhado!

mas nem ouso me comparar ao dootô dostô! ainda maias porque nem de longe quero a vida que ele levou, eheheheh.

mas obrigado pela informação partilhada mauro!