
Sou epiléptico.
Não é neurocisticercose o que tenho. Não é o 1º estágio larval da tênia que se calcificou e atrapalhou todo o caminho dos neurônios.
Não me o Osama nem uma segunda personalidade camuflada que ataca feito guerrilha quando estou de guarda baixa.
Não. É mais profundo que isso. É epilepsia mesmo. É meu cérebro revoltado comigo, causando pane geral quando judio do corpo, quando me estresso muito, duro pouco,.. bebo além da conta ou junto tudo num pacote bomba.
É nessas horas que meu cérebro explode. Um lado se desentende do outro. Caio, babo, convulsiono e apago qualquer memória do incidente. E depois, além da amnésia do evento, ainda fico um tempo grogue e cheio de dor (espasmos musculares podem ser mais fortes que horas de atividade física com pancadas) sobretudo n nuca e nos ombros, que costumam travar nos ataques.
Por sorte a chance de acontecer é remota, e nunca se manifestou sob efeito de medicação. Minha média tem sido 2 ataques nos últimos 8 anos.
Mas, mesmo tomando remédio e em condições normais, meu cérebro tem pequenos picos epiletiformes. Dura menos de ¼ de segundo. Não causa perda de memória nem ausência congnitiva nem nada. Mas está ali, por todo o cérebro, a indicar como meus nervos fogem de tudo quando não agüenta a realidade - e, ainda mais quando eles não agüentam mais lidar comigo mesmo.
É assim minha epg, epilepsia primária generalizada.
Com o tempo e tratamento esses picos tendem a sumir. É o que diz o médico.
Eu não tenho tanta certeza. Creio que meu cérebro sempre vai ser assim: primário e generalizado.
É vã pretensão achar que consigo ir além desse conceito
Mas não pensem que é simples ser primário e generalizado. Ou, por outra, é simp´les, mas não é fácil (já que não é fácil ser simples).
Vou seguir tentando apreender o básico do mundo e, ambiciosamente, tentando abarcar o todo de cada situação.
Vou seguir tentando ser primário e generalizado.
2 comentários:
Parabéns Murilo: conseguiu se igualar a Достоевский (ou simplesmente "Dostô", para os mais chegados). Também epiléptico, ele soube retratar como ninguém o quadro em "O Idiota" (ou a história da melhor pessoa pós J.C.). A descrição dos teus sintomas coincide com aquilo que o príncipe descreve antes dos ataques. Também é o caso do assassino de "Os Irmãos Karamázov", mas mais não te conto para não estragar (embora já o tenha feito - e não volto atrás). Em "O Jogador" quem sofre não é o personagem, mas o autor, pressionado pelos editores e sujeito aos ataques com frequencia. Em todo caso, fica a dica. A vida copia a arte e só resta a saudade das minhocas na cabeça. Abraços!
uia que nem eu me imaginava tão bem acompanhado!
mas nem ouso me comparar ao dootô dostô! ainda maias porque nem de longe quero a vida que ele levou, eheheheh.
mas obrigado pela informação partilhada mauro!
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