um post fragmentado, pra consagrar uma série de viagens fracionadas:
crianças brincando de pique-cola na praça de nova olinda do maranhão:
_ tá com o miguelzinho.
_ como é que faz pra descolá?
_ tem que passar por baixo das pernas – diz um dos meninos.
_ ah, não! assim não vale, é muito imoral!! – ralha a mais nova, em seu vestido de chita.
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era uma macaco-prego, quitéria, mais conhecida como kika. o caminhoneiro a deixou ainda novinha, recém-apartada da falecida mãe, para a dona do restaurante cuidar. ele nunca mais deu as caras. melhor pra kika, que se afeiçoara à nova dona, se agarrava à ela e gritava toda vez que esta saía.
passava o dia na janela, presa numa corda e mexendo com todos que passavam. uns clientes metiam balas nos bolsos e foi assim que a macaca aprendeu a remexer em bolsos. kika tinha fascinação por óculos e chaveiros. mas tudo que quebrava tinha dois destinos: mordia ou batia no batente até quebrar.
carente que só ela, começava ser agarrando no braço de quem quer que lhe desse atenção. depois, sentia-se à vontade para mexer nos bolsos e cabelos do incauto. morria de medo da bocarra dos cachorros, subia o mais alto que a corda lhe permitia e ficava vigiando, até eles se afastarem.
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chico era o bêbado ilustre da região. bem verdade que costumava passar meses sem beber, mas quando o fazia não havia quem no povoado não soubesse. ele anunciava alto pelas estradas de poeira sua enrolada língua, que só seu cachorro, fiel acompanhante, parecia entender.
e foi num desses dias em que a sobriedade há muito lhe abandonara que ele viu kika.
o temor de kika ao cachorro branco de chico não foi maior que sua carência. grudou as mãos finas no braço do bêbado. este, por sua vez, agarrou kika pelo tronco, imobilizando-lhe os braços. sem perceber que a machucava, começou a falar com a macaca, que, incapaz de se livrar, gritava com voz sumida.
foi quando a dona chegou com a vassoura: ‘larga de mão, seu traste!’. com a b bordoada chico tomou seu rumo pela estrada, mais cambaleando que correndo. mas logo se recompô e, virnado-se para seu cão, falou todo gaiteiro:
_ e tu achava que eu não valia nada!
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_ por que o nome do povoado é chega-tudo?
_ é que aqui o acesso é tão difícil que chega tudo.
_ não entendi.
_ chega tudo qu de ruim que quer fugir da cidade.
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_ a cartilha é o livro mais difícil que tem, porque o nego entra nela sem saber nada do que ta lá dentro. (seu zé lima, assentado).
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“eu é que não vôo de avião. primeiro porque a gravidade fica chamando o que tá no alto pra baixo. depois porque o avião é feito de ferro, e o ferro é tirado da terra. assim, o desejo do ferro é voltar pra terra e fica puxando o avião pra baixo”. (seu antônio, assentado em pedreira II)
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poesia de estrada
não corra
não mate
não morra
(placa de rodovia federal)
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“mulher feia e jumento, só quem gosta é o dono” (um transeunte, gritando ao amigo na praça de santa luzia do paruá)
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sinceramente, vocês não acham bem mais difícil falar ‘droba’ ao invés de ‘dobra? eu acho. só que, mesmo sendo mais complicado, é assim que 98% dos centos dos assentados falam.
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dirigir com sono é namorar com a morte (propaganda de colchão nas rodovias do maranhão)
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‘favor não andar de toalha no corredor’ (placa no hall de entrada do hotel em que me hospedo em santa luzia do paruá).
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e pra finalizar uma inusitada surpresa.
estava eu num daqueles botecos bem pé sujo do interior, daqueles sem muitas opções, quando vejo um cartaz com bohemia a 1,99!!! aais barato que kaiser!
ao que parece, aqui no nordeste eles nem conhecem muito essa cerveja. como não se preocupam em pedir ela acaba sobrando, e aí, o preço despenca.
pelo menos em lgum aspecto vocês vão ter que ter inveja de mim. hehehe
9 comentários:
Oi Zibetti, blog reativado! passando aqui para ver as novidades, pelo visto vc se embrenhou pelo Maranhão e colheu amostras da sabedoria popular!
Ah! Novidade! Sabia que Zé guerra agora é Gestor Federal de políticas Públicas? o moleque tá é importante!!!
BAAAAAAH
mas é a Bohemia de verdade??!
diogo,
sim é a verdadeira, com gosto da verdadeira. o caboclo só tem que atentar para o prazo de validade, às vezes já tá expirado
carol., pelo visto o puxão de orelha valeu,heheheh.
eu sabia que o é tava trabalhando com políticas públicas, já no incra.
mas agora ele passou naquele concurso pra gestor do ano retrasado? é isso? informa essa história direito mulher!!
nao desativei meu blog do zipnet nao. continua lá, com as mesmas postagens que o do blogspot, mantenho os dois pq é mais fácil postar neste daqui e depois copiar para o de lá (coisas de gente que nao sabe usar o pc, rsrsrsrsrs), mas a galera comenta mesmo eh no outro!
bjs
E qto a Zé, tb nao sei detalhes, quem passou o informe foi Explicadex, mas vou tentar conseguir mais dados, rsrsrsrs
O diogo sempre cético....
No mais...muito bom esses relatos de viagem!
Meu Yin,
andando pelo meio de gente de verdade, de suor, de carne e osso(muito destes) é que se descobre o valor de uma boa prosa e, porque não, da própria vida.
Continue andando...
Beijos
Eu q há muito não saio do lugar, morri de inveja de suas viagens... ainda mais pelo Maranhão e todos os lençóis e águas q há por lá e todos os falares do nordeste... Mas vamos ao meu comentário fragmentado:
Vrido, é mais difícil q droba. Preda, em vez de pedra, tb. E ainda assim: "Quem tem teiado de rido não joga preda no dusotro!" - sabedoria popular. - E olha q os meus vizinhos não são assentados, nem desassentados!
Será por isso q a Brahma aqui é mais barata q a Skol e a Bohemia, pasme, tb é $1,99?!
Bjs
P.S. "groucho" é uma palavra 'preda' no meu vocabulário... Mas eu vou acostumar.
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