modo geral, não me apraz essa época de natal. há vários motivos envolvidos, vamos ver se consigo elencá-los todos:
olha, em curitiba já era um absurdo ver aqueles tiozinhos torrando no sol com roupa de papai noel e suor nas axilas. mas não era só isso, tínhamos que suportar decorações totalmente destoantes do clima; neve artificial de isopor e algodão; propagandas da coca com ursos polares; adolescentes ganhando um troco vestidos de gnomos em shoppings; castanhas, passas e outras comidas que nada tem a ver conosco etc. etc. etc.
e o pessoal faz isso, sem saber o ridículo que está passando para as gerações futuras - lembro até hoje quando, na oitava série, gargalhei sarcasticamente vendo um refinado carioca vestido com os pesados casacões que eram a última moda na europa. detalhe, ele passeava no calçadão de copacabana!!! (agora, imagine um senhor vestido de papai noel em pleno equador ludovicense! sem falar que deve ser uma dificuldade achar um papai noel de pela clara e bochechas rosadas aqui em são luís)
e as luzes de natal, nada supera as luzes de natal! aquela profusão de piscas pra lá e pra cá, dos mais variado matizes.
peraí, tem algo que supera sim, são as músicas de natal! tem algo mais irritante do que aqueles corais de criancinhas cantando jinglebelss e afins? tem, aqueles brinquedos eletrônicos que reproduzem tosca e desafinadamente essas mesmas músicas.
mas há mais. natal é tempo de presentes. não se iludam, fui uma criança normal como tantas. adorava ganhar presentes, na verdade, até meus 13, 14 anos, esse era o verdadeiro sentido do natal. melhor dizendo, até hoje esse é o grande barato do natal, adoro ganhar presentes, mesmo que sejam bobeirinhas. lembrancinhas de 1,99, desde que minimamente úteis, me agradam sobremaneira.
mas fugi do calçadão no centro essa semana. aquilo não é o inferno, mas se tu tiver que passar por um lugar desses carregando sacolas trambolhosas, com certeza belzebu diminui tua condenação. ah não, dei uma olhada naquele mar de gente (mar de ressaca, ressalte-se) e nem titubeeei: compras, só em janeiro (e na segunda semana, após todos trocarem aquela blusa ridícula que ganharam da tia)
tem mais, todo mundo já recebeu cartão de natal. alguns são mui agradáveis, escritos á mão e de velhos amigos. outros são de hipócritas tão desprezíveis que nem se forem manuscritos se salvam, mas geralmente esses contém alguma frase contra bem lugar comum, quando não um pedaço da bíblia (os evangelhos adoram esses e citam certas passagens como se fossem solução de quaisquer dúvidas).
mas claro que as mensagens de fim de ano ficam piores nesses tempos de orkutes e emails. quem já não recebeu um scrap com um pinheirinho todo formado de asteriscos? ou um daqueles texto requentados falsamente atribuído a luís fernando veríssimo ou ou jorge luis borges?
nesse quesito ao menos, acho que passei bem. pelo visto meus filtros funcionaram - e ter ralhado com amigos malas que acham que enviar um email com mensagem pronta é sinal de se importar com o outro também contribuiu. mas a grande verdade mesmo é que bloqueei mentalmente esse tipo de mensagem. assim que vejo um email com um título suspeito trato de deletá-lo sem mais delongas, antes que minha mente registre que o recebi. em suma, não são esse 'amigos virtuais' (o duplo sentido aqui é deveras apropriado) que amadureceram e pararam de mandar mensagens ridículas, é meu cérebro que automaticamente ignora esse tipo de gente.
por conta disso espero, sinceramente, que esse singelo texto não se inclua nessa espécie de texto. é apenas uma reflexão mal-humorada feita na época adequada. caso contrário, por que cargas d'água tu me leu até aqui?
***
por fim e, possivelmente, o mais irritante: esse pretenso clima de paz e harmonia. todo mundo fala em paz e tolerância, mas ninguém deixa de ser preconceituoso e raivoso só porque um homem morreu há mais de 2000 anos. a terra continua girando do mesmo jeito, e as palavras de hoje não viram reflexões de amanhã! tornam-se isso sim, a hipocrisia de ontem! (essa expressão bem que podia entrar num rap do bnegão, mas chega de divagações, é hora de encerrar a verborragia)
aaaah, o natal, tempo de se estressar com o alheio....
no fim, o melhor mesmo é passar o natal com a família, esses que não escolhemos aturar!
4 comentários:
Vc fala de mim, mas tb faz um tempo q não posta, né? POis é, tô sem inspiração, nunca mais escrevi nada! Daí postei esse texto q eu adoro!! Mas onde é q vc tá agora? Bjocas.
tá pela área então?
eu, voltando.
o que inventei de teimar nesse fim de ano é que devia haver um espaço de uns 4 meses entre natal e ano novo. jesus tinha que ter morrido antes. se ele fosse nobre, tinha se suicidado (seria nobre ao menos para mim)... teria se polpado daquele dramalhão todo e não teria ganhado uma versão cinematográfica de sua agonia pelas mãos brutas do mel gibson.
o nosso natal podia ser o carnaval mesmo.
Recebi um q, pela inusitada antagonia, não deletei mentalmente, apenas da caixa. Consta em um post ainda inédito, mas vou reproduzir aqui, pela ocasião: "Neste Natal, desejo-lhe menos consumismo e Papai-Noel, e mais amor, etc...". Eu, desempregada a qse um ano, sonhando em ganhar um presentinho com o décimo da fámila depois de já não ter consumido o ano inteiro... Fiquei indignada!
Foi o fim das mensagens de Natal na minha existência!
(Rs)
Bjs
suellem,
essa postagem bissexta vai mudar, aguarde novidades.....
vevs,
gostei da tua idéia. a gente podia falar com o grandioso e trocar o calendário. se ele não atender, a gente procura um imperador romno pra impôr um. ou entõ inventa uma revolução francesa e, aproveitando o momento, troca os nomes dos meses pra coisa mais divertida (os astrólogos vo ficar malucos)
snow,
viu só, por isso que eu nem dou uma espiadela. esse é o verdadeiro terorismos (esses idiotas eles não enforcam)
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