
taí a imagem da santa luzia do paruá, objeto de um post antigo.
conseguem notar os pontos azuis braço direito? são os olhos numa bandeja. agora, me digam se isso não tem um quê de psicose?
aliás o catolicismo de um modo geral é muito parecido com outras religiões consideradas 'bárbaras'. basta dar uma olhadinha na bíblia que tu constata pedidos de proteção, afirmações de fidelidade e brados pedindo punição aos outros!! nesse ponto a bíblia não difere em nada dos casos constantes de incesto e bestialismo da mitologia grega, africana ou hindu.
ressalte-se que o catolicismo carrega uma culpa que os outros não tem. ele usualmente padece de dois males: ou culpa as imperfeições dos outros, ou culpa a sua imperfeição. não há alegria na bíblia, no máximo um gozo momentâneo, um momento de felicidade extrema que é o prenúncio do paraíso. nesse quesito eu prefiro a teologia africana, em que as agruras e benesses ocorrem aqui na terra mesmo, na vida cotidiana.
não é intenção desse blógue ficar discutindo teologia. eu sei que o catolicismo sofreu mudanças e que há inúmeras facetas em suas aplicações, muitas delas – como a teologia da libertação – até bem aplicáveis. só o que quero registrar aqui é uma impressão pessoal das vezes em que li a bíblia, e foi esta: a bíblia me causa mal-estar, e não é o mal-estar advindo de uma descoberta desagradável e necessária. é aquele mal-estar de ler palavras de ódio em todo canto, exortações de que deus dê punições aos outros e perdoe ao crente. sei lá, no fundo todas as religiões surgiram localmente e eram uma forma de criar identidade entre um grupo. e um bom instrumento de união era usar o outro como referencial negativo (eles são maus, eles são egoístas e mesquinhos e cruéis, nós somos justos). não é um mal exclusivo do catolicismo (não estou diferenciando catolicismo de cristianismo nesse texto, então nem venham criticar essa confusão de termos, uso-os como sinônimos e pronto).
mas, por mais que eu saiba que um texto deve ser lido levando em conta a época em que foi escrito, não dá pra entender o que há de tão magnânimo na bíblia. tudo o que eu quero é ter o direito de questionar esse livro, achar que ele tem bons e maus momentos da mesma forma que o último filme do almodóvar. claro, a liberdade existe, mas não dá pra dizer que posso sair por ai falando que A BÍBLIA NÃO É UM LIVRO SAGRADO (aliás, nenhum livro é), e tenho o direito de achar isso tanto quanto tenho o direito de me enojar com algumas passagens dos salmos:
'se tu senhor, observares as iniqüidades, senhor, quem subsistirá? mas contigo está o perdão, para que sejas temido' (salmo 130) – o perdão como forma de aterrorizar os outros, que prato cheio pra psicanalistas!!
'bem aventurado aquele que teme ao senhor e anda nos seus caminhos' (salmo 129) – eu sei que a bíblia era uma espécie de código da época, mas precisavam ser tão agressivos. e o que ocorre com quem se desviar?
'eles me cercaram com palavras odiosas, e pelejaram contra mim sem causa (...) quando for julgado, saia condenado; e a sua oração se lhe torne em pecado. sejam poucos os seus dias e outro tome seu ofício. sejam órfãos seus filhos, e viúva sua mulher. sejam vagabundos e pedintes seus filhos, e busquem pão fora de seus lugares desolados. não haja ninguém que se compadeça dele (...) esteja na memória do senhor a iniqüidade de seus pais, e não se apague o pecado de sua mãe...". (salmo 108) – agora entendi o amor cristão pregado pela tfp
não tou aqui culpando a bíblia pelos males do mundo, nem acho que ela seja tão diferente de outras religiões, bem como de certos nacionalismos. acho até que há uma parcela bestial ainda presente em nós, o problema é que não a extravasamos. resultado, sublimamos a bestialidade e a deixamos implícita em certas atitudes com aparência de normalidade.
o ponto nevrálgico de meu argumento é que esses salmos colhidos a esmo podem muito bem explicar a existência de defensores de pena de morte; criminilizadores de toxicômanos; perseguidores implacáveis de obscenidade; células terroristas; inexistência de diálogos entre etnias etc.
e chega porque já falei rasamente de assuntos polêmicos demais. se esse blógue fosse mais visitado eu sofreria uma enxurrada de comentários raivosos.
nessas horas, é ótimo ser anônimo
5 comentários:
Interessante sua opinião. Eu tb sinto, no fundo, uma certa raiva desse PEDESTAL em q estão os textos religiosos e os antigos em geral. Mas acho q é merecido. A real é q eles não devem ser lidos como são os nossos textos atuais, são VAZADOS por vezes [desculpe pela aliteração] numa tipo de linguagem figurada q não entendemos. E muitas vezes, tb, são citados sem a devida CONTEXTUALIZAÇÃO.
Quero dizer: na minha idéia, algumas passagens bíblicas são alegorias, não se deve compreendê-las como se fossem relatos fiéis. Talvez essa nossa dificuldade em sacar qdo se trata de um texto 'normal' e de um figurado seja resultado do CIENTIFICISMO q varreu a produção humanística nos séculos recentes. Só uma hipótese.
Melhor: CIENTISMO. É como os portugueses usam.
opa camarada diogo.
concordo com teu ponto de vista de ver as passagens da bíblia como parábolas, sobretudo se considerarmos que o livro foi escrito num tempo e nuam região que eram alvos constantes de invasões e conquistas.
mas me irrita ver pessoas usando interpretações literais da bíblia para justificar seus pontos de vista arcaicos.
agora, vamos combinar que 'cientismo' é de um preciosismo bem típico dos melífluos portugueses, eheheheh
abraços
Amém!
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