quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ressaca da democracia

E lá fui eu nesse segundo turno, rumo ao reduto serrista que é o
colégio dante alighieri.
Saí de casa todo provocativo, camisa vermelha e adesivo do haddad.
Minha esposa também vermelha me acompanhava na provocação.

Nem ligava aos muxoxos dos circundantes.

Os mesários, jovens, num solidarismo resignado, me informaram da
lavada que foi o primeiro turno: 180 votos pro serra, uns 30 pro
haddad e 20 e poucos pro russo.
Isso só me atiçou: meu voto era um ato heróico de consciência.
Saio da cabine ainda mais imponente, não desvio olhar de nenhuma cara
feia (havia também quem me olhasse com piedade e comiseração, pra
esses sorria ainda mais escarnecido).

Na porta do colégio vem a repórter do valor econômico nos pedir
entrevista, alegando o fato de sermos minoria naquele local.
Era o  que pra eu me sentir o último dos resistentes: falo que falta
integração à cidade,minha mulher  explica como o bairro esquece de
olhar pra questões da cidade, a jornalista agradece e todos nos
despedimos satisfeitos com os deveres cumpridos.
Desço a ladeira em direção à minha casa de peito aberto e estufado, o
próprio che guevara dos jardins!

Nisso, de bicicleta, 3 manos passam em sentido contrário. Eu os olho,
identificado com eles. E o o último me solta um sorriso maroto
enquanto grita aos outros dois:
 “Ó lá! O mauricinho votou no Haddad!”

Duas frases certeiras bastaram pra que fizesse o resto do caminho arrastando os pés...