Não sei se é só comigo, se é uma característica cultural ou se é da natureza do envolvimento, mas sempre me sinto meio de ressaca após uma eleição.
É quase como torcer pra um time mesmo. Se ele ganha, fico eufórico, e um tanto atarantado, com a sensação de dever cumprido. Mesmo que tenha feito pouco mais do que votar, tal qual o fiel que grita no estádio e se sente tão vitorioso quanto os jogadores.
Em contrapartida, também em sinto igualmente responsável na derrota. Mezzo decepcionado, mezzo furioso. Passada a raiva momentânea, ainda assim fica uma certa indignação pois, por mais duvidosa que seja a minha natureza, por mais incerta que seja a minha escolha, ela ainda é uma escolha, e guarda algo de convicto nela. Fico decepcionado com o mundo por não partilhar da minha visão e furioso comigo por não ter conseguido explicar ao mundo meu ponto de vista.
È um tanto messiânico, eu sei, mas esse algo de torcida que as campanhas geram tem a capacidade de gerar megalomania mesmo. Não é minha intenção aqui exaltar como virtude essa faceta da eleição, mas é algo que acontece comigo e, pelo que observei, com outros também, independente de qual seja o lado que eles apóiam.
Ao mesmo tempo que esse comportamento pode gerar raiva desmedida no lugar de justa indignação (aliás, a indignação pode ser injusta mas, mesmo nesse caso, ainda guarda algo de digno) ele também é responsável por uma euforia aliviadora. Ganhar é uma catarse, não porque o outro perdeu - também por isso, não sejamos hipócritas, e, como vale a metáfora das torcidas, às vezes mais ainda por isso. Mas ganhar é se sentir que o mundo caminha nos trilhos, ao menos em alguns momentos, que nem tudo vai degringolar.
A derrota também pode ser um ensinamento, pode servir de autocrítica (era mesmo a minha opção a melhor) como de combustível (não me fiz claro o suficiente).
O que não perdôo são os que votam pra perder. Não estou falando dos que votam claramente num candidato sem chances, mas com quem compactuam ideais. Esses tem mais que respeito. Pragmatismo político tem limites e cada um que descubra os seus. Estou falando dos que votam no sem chance só pra se eximirem de responsabilidades, só para terem o prazer de dizer depois “não elegi ninguém dessa corja que aí está”; os que ficam na situação fácil de poder criticar a todos sem remorso.Eles ignoram – ou não querem admitir – que eles elegeram sim quem quer que esteja no poder, seja a situação, seja a oposição, afinal simplesmente desistiram de se responsabilizar pelos rumos da sociedade e limitam-se a sonha com o dom Sebastião da vez. A eles, meu repúdio. Não que eles se importem, afinal são especialistas em ar blasé e jamais admitiriam os motivos reais de seus votos (mas até aí, quantos de nós estamos mesmo seguros que nosso motivos são mais verdadeiros?).
Toda essa divagação foi pra dizer que o domingo à noite foi quase como derrota na final. Em vários âmbitos e sempre por um gol no final. Sarney continua no Maranhão; Richa assume mesmo no Paraná; Alckmin sua – mas leva – em São Paulo e na Presidência não foi ainda dessa vez.
Felizmente essa não é final de Copa, tá mais pra decisão da Libertadores. Dava pra ter ganho no primeiro jogo, ao invés, rolou um empate chocho. Mas a vantagem é nossa, só não dá pra bobear no próximo. É treinar pra noite do dia 31 não ter nenhuma sombra de depressão pós-Fantástico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário