quinta-feira, 13 de julho de 2006

uma banda na umbanda




de um conversa descontraída sobre umbanda surgiu a semente de uma idéia: e se os orixás formassem um grupo de rock?

eis o fruto:

Xangô - comecemos pela base. ao detentor do som do trovão só poderia caber a bateria. ali, na chamada 'cozinha' do grupo, discreto encontramos o senhor das pedreiras compenetrado na sua função de dar consistência à banda. sem ele na percussão a música perderia peso, quebrar-se-ia ao menor deslize. façamos justiça: Xangô é imprescindível! dá segurança aos demais, é o ponto de referência dos demais. o grupo não apenas sabe que ritmo seguir como, graças a ele, fica livre para ousar. afinal, o que seria dos malabarismos de um Mick Jagger sem um Charlie Watts na bateria pra lhe dar sustentação?

Ogum - na linha de frente não poderia ser diferente. Ogum é o responsável pela 1ª guitarra, aquela que faz a abse do agudo (agudo como sua lança), com eventuais riffs apontados em direção ao público. só ele é ousado o suficiente pra encarar o instrumento em que cada erro é percebido mais nitidamente. mesmo porque ele não tem medo de errar, erra sim, mas levanta e se recupera e parte pra novo ataque sonoro. seus solos são diretos e potentas, qualdo inventaram o punk-rock era Ogum quem empunhava a guitarra. não é menos verdade porém que ele pode fazer harmonias ansiosas que definem o sucesso ou fracasso de um música. ele é capaz de seguir sozinho, mas prefere tomar a frente do palco encarar o público e chamar os outrso do grupo pra batalhar com ele. é por isso que John Frusciante, do Red Hot Chilli Peppers, cabe bem nesse perfil. O mesmo podemos dizer de um solista que aceita dividir o palco sem perder a imponência como Santana.

Oxóssi - transitando no terreno da indecisão. entre a base do grave e a euberância do agudo, lá está Oxóssi, tocando seu baixo. está naquele som que não aparece numa primeira audição mas que pode se fazer presente quando necessário (ou quando for do interesse do músico). é o apoio que permite à guitarra acompanhar mais facilmente a bateria, assim como o arco ajuda a lança na batalha. a agressividade com um toque de melnacolia, a inserção do blues no rock'n'roll, assim é o baixo de Oxósse. eventualmente um solo pode surir e fazer a diferença, dar o suíngue certeiro à crueza da guitarra. não acredita? ouça a introdução de Cannonball, do 'Breeders', ou procure conhecer 'Morphine' que nem guitarra tem, só sax, bateria e baixo! ou, pra ficar no exemplo mais evidente de como até um baixo pode dominar o grupo, preste atenção no baixista 'Flea', do já citado Red Hot.

Oxum - no doce das águas a sedutora voz de uma Iara. nada menos que o holofote principal deve incindir sobre ela. o público se encanta em como aquela mulher consegue colocar suavidade em meio a balbúrdia de instrumentos. P. J. Harvey se torna mais linda ao destilar sua rouquidão ao lado de guitarras distorcidas. Isabel Monteiro do 'Drugstore' fecha os olhos enquanto o baixo e a bateria complementam sua indignação extasiante. o público se rende ante um o vocal dominate e carente de Oxum. A beleza com um toque de dor, como Dolores O'Riordan, do 'Cranberries'.

Iemanjá - a senhora da imensidão marítima tem um coração tão grande que não se importa se não chamar atenção. ao contrário, o que ela quer é que os outros brilhem no palco. contudo, mãe zelosa que é, não suporta ver os filhos encararem a platéia sem poder apoiá-los. por isso não é de estranhar que atue como backing vocal e se dê por satisfeita, ao ponto de roubar a etnçaõ vez ou outra. bem verdade que isso gera atritos com Oxum, mas nada que prejudique a performance do grupo. Rita Lee, durante sua passagem pelos 'Mutantes' e - na minha opinião - mãe do rock brasileiro, é boa representante do tipo. é Iemanjá quem acalma os egos e impede que o som se perca em excessos, como George Harrison fez nos Beatles durante muito tempo.

Iansã - impetuosa, o improviso é sua tônica. tempestuosa, não para quieta e, para ser bem aproveitada na banda tem que ficar no comando da 2ª guitarra. é Iansã quem comanda as maiores estripulaias, quem pega o público de surpressa com um solo no local inesperado, é ela quem subverte a melodia. se o punk nasceu de um Ogum, o rock progressivo teve a mão de uma Iansã. Jimmy Hendrix é a própria encarnação relâmpago no palco e Angus Young, do 'AC/DC' é um furacão numa banda já elétrica.

Exú - alguém tem que fazer o trabalho sujo e Exú pega esse serviço com prazer. o protetor dos caminhos também protege o grupo aonde quer que vá, é multi-função, tanto é o roadie que prepara, afina e carrega os instrumentos, quanto o segurança responsável por intermediar o assédio do público.

não, eu não esqueci Oxalá. quem vocês acham que é o empresário capaz de gerenciar uma banda cheia de astros?

2 comentários:

Carol disse...

Já criaram bandas de rock para Deus e para o Diabo, pq não para os orixás. Depois a gente pode até organizar um festival.
Ah! E adorei a descrição que fez do meu orixá Oxóssi!!!

Anônimo disse...

ótimo!